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Com a economia historicamente marcada pela monocultura da cana-de-açúcar, Alagoas vive o constante desafio de diversificar o perfil do setor produtivo. Na última semana, a divulgação do resultado da primeira fase do Programa Centelha apresentou 200 ideias para a criação de empresas com base tecnológica de perfil inovador.

Entre os pré-selecionados, há um expressivo número de projetos que apontam para novas tendências profissionais e de mercado. Nomes que soam como novidade para o grande público, mas que já figuram na vanguarda para os iniciados: Big Data, Blockchain, Machine Learning e Telecom.

Além desses, há também os campos mais “tradicionais”, como Geoengenharia, Nanotecnologia, Realidade Virtual, Tecnologia da Informação e Segurança. Quem sabe aí estão os caminhos que vão pontuar o desenvolvimento econômico da capital e do interior nos próximos anos.

A iniciativa, promovida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapeal) em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (SECTI), integra o Programa Nacional de Apoio à Geração de Empreendimentos Inovadores. No total, foram 1.234 inscrições. “Desde 2016, nós tentávamos trazer o programa para Alagoas”, revela Fábio Guedes, diretor-presidente da Fapeal. “Com o resultado, parece que nossa economia vai caminhando numa direção importante”, avalia.

Se o resultado dessa primeira fase for considerado um indicativo, pode-se dizer que o futuro da economia alagoana passa inevitavelmente pela área da chamada Tecnologia Social. O segmento recebeu 61 das 200 propostas selecionadas, seguido por Inteligência Artificial e Machine Learning (32) e Química e Novos Materiais (28).

Transformar produto em negócio

Ao final, serão escolhidos 28 projetos. Cada um receberá R$ 57 mil para iniciar a estruturação que transformará seu produto em um negócio. Alguns deles chamam a atenção logo pelo título. Por exemplo, no campo da Biotecnologia e Genética, vem o plano de Renato Medeiros Tenório, de Maceió, para criação de uma “Fábrica de Ração Feita com a Casca do Sururu”.

Na área de Tecnologia Social, Luiz Rodrigo Augustemak, da capital, submeteu o “Monitoramento de Atividade Física e Aptidão Física em Crianças HIV+”. Há também o “Bike Legal – Oficina Voluntária de Bicicletas”, apresentado na categoria Automação por Eugênio Bastos da Costa, da cidade de Coruripe. E ainda o “Programa de Reformas Habitacionais para População de Baixa Renda”, na área de Design, assinado por Kelly Tatiane Bezerra, de Rio Largo.

Potencial e capacidade técnica

Todos os pré-selecionados – a lista completa pode ser acessada no site da Fapeal (www.fapeal.al) – devem encarar ao menos duas etapas antes do resultado final. De início, foram analisados aspectos como o potencial do produto e a capacidade técnica da equipe envolvida.

Na próxima fase, a avaliação escolherá 100 projetos após identificar itens como grau de inovação, domínio das tecnologias envolvidas, potencial de mercado, fatores de risco e modelo de negócio. Por fim, o último filtro definirá as 28 ideias mais arrojadamente inovadoras inscritas no edital.

“Temos um comitê gestor composto por pessoas daqui e dos órgãos financiadores, mas a avaliação do mérito é feita por pessoas de fora, contratadas pela Fundação Certi por meio de uma parceria com o Sebrae”, garante Fábio Guedes, sobre a parceria da Fapeal com a instituição que coordena o programa em nível nacional, com sede em Florianópolis, Santa Catarina.