Foto: PC/AL
Central de Flagrantes

Atualizada às 15h01

Um áudio recebido pela reportagem do CadaMinuto, atribuído à uma suposta agente da Polícia Civil, participante da atual gestão da Central de Flagrantes da Capital, mostra a profissional incentivando os policiais civis a adotarem uma espécie de “Operação Padrão” para travar as delegacias.

De acordo com a gravação, a agente sugere que em vez dos profissionais fazerem uma paralisação das atividades, eles continuem a ouvir os interrogados somente com a presença do delegado.

“Só tem um delegado e vai demorar muito. Aí a Polícia Militar vai ficar na rua e vai ficar esperando muito. Assim, faz zoada porque vai incomodar os militares, que irão passar dez horas lá. E o governador, como é apaixonado pela ‘militar’, vai tomar providência”, diz a profissional.

Estratégia

Ainda segundo os áudios, a agente pede que os delegados não pensem que o ato é uma pressão contra a categoria, mas sim uma questão de estratégia para que os agentes e escrivães da PC/AL cheguem aos seus objetivos. “A luta é essa: cada um no seu quadrado”, esclarece a mulher.

Na gravação, a profissional explica também que, mesmo com quatro ou cinco escrivães, “a gente não pode começar outro [interrogatório] sem terminar o primeiro”, salienta.

Ela destaca ainda que a estratégia é feita para que “a gente não pare, depois digam que é ilegal e começar uma perseguição ou punição”.

Dessa forma, os procedimentos que chegarem às delegacias irão demorar, “a Central de Flagrantes vai encher, os militares vão ficar na porta, a imprensa vai chegar e faz a zoada”, apontou a agente da PC/AL.

A reportagem entrou em contato com a profissional da Polícia Civil, que teve a identidade preservada e, por sua vez, alegou que os áudios não são dela e não quis se posicionar sobre o assunto.

Em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Alagoas (SSP/AL), a assessoria de Comunicação do órgão informou que cabe à Corregedoria da Polícia Civil apurar se houve esse tipo de conduta por parte da agente de polícia.

Ao tentar contato com a delegada-geral adjunta da Polícia Civil, foi informado que a profissional estava em reunião.

*Estagiária sob a supervisão da editoria