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A eleição para prefeito de Maceió tem tudo para ser uma das mais acirradas dos últimos muitos anos. De 2004 até 2016, mesmo com segundo turno, Cícero Almeida e Rui Palmeira venceram sem que houvesse perigo real contra eles. É o que mostram os números das quatro eleições. Foram eleitos e reeleitos e, juntos, somam 16 anos no comando da administração da capital alagoana. Agora que me dei conta de que apenas dois gestores resumem os destinos de uma cidade durante uma década e meia. Não é pouca coisa.

Viajando a partir dessa constatação, imaginemos o que historiadores do futuro distante escreverão sobre o legado dos prefeitos de Maceió nos primeiros tempos do século 21. Claro que não se pode esquecer da prefeita Kátia Born, que governou entre janeiro de 1997 e dezembro de 2004, na transição entre os séculos e os milênios. Mas não foi por isso que comecei este texto. Fim da viagem.

Cícero Almeida quer voltar ao cargo que ocupou por dois mandatos. É pré-candidato à sucessão de Palmeira. Este, por sua vez, não pode disputar um terceiro mandato consecutivo – e ainda parece um pouco (ou muito) perdido quanto a um nome para apoiar. Uma das opções seria seu próprio vice, Marcelo Palmeira. Mas, ao que parece, hoje essa alternativa anda fragilizada, quase destruída.

Em abril do ano passado, o prefeito nomeou o vice para o cargo de secretário municipal de Assistência Social. Era uma jogada na estratégia para fortalecer uma eventual candidatura. À frente da pasta, o número dois da prefeitura ganharia visibilidade a partir de ações pela cidade. A iniciativa do prefeito foi um investimento claro em sua aposta para sucessor. Mas na prática não funcionou bem.

Enquanto o atual vice anda esquecido, o que não falta é postulante na praça. E cada um mais forte do que outro – ao menos na teoria. Um peso pesado, sem dúvida, é Ronaldo Lessa, que, assim como Cícero Almeida, já ocupou o cargo. Além disso, o homem tem a experiência de dois mandatos como governador. Claro que não adianta apenas o currículo para garantir o voto do povão na urna.

O deputado federal João Henrique Caldas cresce a cada eleição. Já disputou a prefeitura. Sabe que tem um potencial que o torna um nome forte no páreo. A seu favor está o discurso da tal renovação. É por isso que JHC tenta costurar alianças de maneira obsessiva na busca por uma base que não o deixe isolado. Não será surpresa se ele conseguir fechar uma chapa com algum dos pré-candidatos.

Cogitado como alternativa nesse balaio de concorrentes, sempre aparece o senador Rodrigo Cunha. Depois de se eleger deputado estadual e obter uma expressiva vitória para o Senado, o rapaz deu um salto e tanto em termos de cacife eleitoral. Mas seria um erro brutal de sua parte, penso eu, cair nessa aventura de resultados imprevisíveis. O mais provável é que ele dê apoio a outro nome.

Todos esses que citei têm um virtual adversário que não é moleza. Refiro-me ao procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. O chefe do Ministério Público Estadual se beneficia do discurso que tomou conta do país: o eleitor busca nomes identificados com a ética, a lisura com a coisa pública e o combate à corrupção. E pesquisas atestam que o procurador é forte. Está no jogo.

Fala-se ainda em figuras que, até o momento, correm por fora. O deputado estadual Davi Davino Filho seria um desses casos. Dizem por aí que ele teria alguma chance, mas, sem querer ofender, não sei de onde tiram essa lorota. Sempre uma esfinge, o senador Fernando Collor, a cada eleição, é e não é candidato a qualquer coisa, a tudo e a nada. Por isso, costuma atormentar aliados e inimigos.

Esqueci alguém? Provavelmente sim. Mas os citados, não há dúvida, formam o grupo de maior viabilidade eleitoral. Não falei em partidos, o que naturalmente é um fator a ser levado em conta. Também não falei no papel do governador Renan Filho e das máquinas estadual e municipal.

Mas a verdade é que o aspecto partidário e a influência de apoios, embora tenham alguma relevância, nunca decidem uma eleição. O eleitor olha para o nome, para o candidato. Dito isso, voltando ao começo, com todas essas opções, a briga pela prefeitura de Maceió promete.