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As festividades de final de ano acarretam também um aumento no fluxo de veículos nas estradas e na cidade. Para promover maior segurança e evitar acidentes, a operação Lei Seca, coordenada pelo Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran/AL) está intensificando as atividades em todo o estado.

Implantada em 2012, a Lei Seca, durante apenas sete anos já efetuou 2.651 ações em Alagoas e abordou 174.682 veículos, registrando 45.482 infrações diversas.

Em entrevista ao CadaMinuto, o coordenador estadual da operação, tenente Emanuel Costa disse que vê a operação da Lei Seca como um patrimônio de Alagoas que vem crescendo e seu formato está muito mais humanizado e com ações educativas. “A atividade deixou de ser apenas uma ação de fiscalização e se tornou uma instituição que abrange e abraça a sociedade”, disse o tenente.

As ações vão além das ruas e também acontecem nas escolas e universidades onde os agentes proferem palestras e atividades educativas, sobretudo para conscientizar os jovens, focando na prevenção de acidentes e na direção segura, explicou o coordenador.

Apesar de toda a informação e conhecimento sobre a lei e suas implicações, Emanuel Costa comentou que “entre os motoristas abordados existe uma média de 4% a 5% que ainda insistem em beber e dirigir”.

Segundo dados, entre os anos de 2012 e 2019, durante os 186.923 testes do etilômetro realizados nas operações 1.736 condutores responderam ADM (teste de alcoolemia de 0.5 a 0.33 mg/l) , 1.369 foram flagrados e encaminhados à delegacia por estar dirigindo veículos sob influência de álcool e 6.825 se recusaram a fazer o teste, totalizando 9.930 motoristas.

O valor da multa de alcoolemia é de R$ 2.934,70 e quem é flagrado na Lei Seca passa 12 meses com seu direito de dirigir suspenso, explicou o tenente alertando ainda que para reaver a habilitação o condutor terá que frequentar as aulas no Centro Formador de Condutores (CFC) fazendo curso de reciclagem e depois será submetido a nova avaliação, isso se ele soprar o bafômetro e der um nível a partir de 0.05. 

Caso o nível de álcool atinja 0.34 o condutor também será conduzido à delegacia e irá responder pelo Artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que é conduzir veículos com a capacidade psicomotora alterada em razão do álcool ou outra substância, salientando que, as mesmas penas também se aplicam ao motorista que se recusar a fazer o teste do etilômetro durante a abordagem, destacou o tenente.

Conscientização

Com o passar do tempo e as ações da Lei Seca, aos poucos os motoristas estão se conscientizando da importância de não beber ao dirigir. “Alagoas tem sido, para o Brasil, um grande exemplo na redução de acidentes e de respeito, especialmente quando percebemos que muitas pessoas falam que vão de transporte público para os bares e restaurantes ou quando vão sem seu veículo levam o ‘amigo da vez’ para dirigir na volta pra casa”, disse o tenente Emanuel.

“Sei que ainda temos que melhorar muito e precisamos zerar as mortes em nosso estado, não podemos admitir uma única morte, principalmente as violentas em relação à alcoolemia, isso é um pesadelo para a gente”, concluiu o tenente.

Arrependimento

A funcionária pública Kalina (nome fictício) lembrou que, há cerca de quatro anos, foi parada durante uma blitz da Lei Seca e ao fazer o teste do bafômetro acusou que havia consumido álcool e no mesmo instante já teve sua carteira retida.

“Eu havia tomado apenas uma long neck e estava bem, tentei argumentar, mas não adiantou” recordou a servidora.
Com dois empregos e uma vida extremamente atribulada, passar um ano sem dirigir foi muito complicado para Kalina. “Depender de meu esposo ou da minha mãe, ou até da carona dos colegas para cumprir as obrigações diárias foi muito desgastante, não só para mim, mas para todos”, disse ela.

Hoje, depois do ocorrido “tenho até vergonha de lembrar”, falou Kalina, reforçando que “a Lei Seca veio como um divisor de águas e serve para que tenhamos mais responsabilidade, não só com a nossa vida, mas com a de todas as pessoas”.

Eu aprendi a lição e agora, quando saio e sei que vou beber chamo um carro de aplicativo ou vemos quem será o motorista ‘da vez’, chegar segura em casa não tem preço, destacou a servidora.