Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

Depois do surgimento de manchas de óleo em algumas praias do litoral alagoano e também do Nordeste do Brasil, a procura por pescados caiu de maneira significativa, prejudicando pescadores e vendedores de peixes em todo o estado de Alagoas.

Em entrevista ao Cada Minuto, a Presidente da Colônia dos Pescadores em Alagoas, Maria Aparecida, afirmou que depois do surgimento das manchas de óleo nas praias, tudo piorou. “Depois das manchas de óleo as vendas do pescado nunca mais foram às mesmas. Um vendedor de peixe chegava a faturar mais de dois salários mínimos por mês e isso caiu mais de 60%”, disparou. 

Aparecida contou que nasceu em meio da pesca, mas nunca vivenciou uma situação tão delicada quanto a que os pescadores enfrentam. “Estamos vivendo uma situação muito delicada, são poucos os clientes que tem confiança em comprar peixe, camarão e dentre outros produtos que são de origem marinha”. 

De acordo com um estudo feito pela equipe de força tarefa de pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), nenhum vestígio de contaminantes em peixes do mar que banha a capital foram encontrados nas análises realizadas. 

Durante o processo de pesquisa, aproximadamente 25 peixes entre as cidades de Maceió e Paripueira, na região metropolitana, foram coletados e em nenhum deles foram encontrados traços ou vestígios de óleo.

O pescador Aloísio Macedo, de 58 anos, que trabalha com peixes e mariscos oriundos de água doce explicou que mesmo sabendo que o óleo não atingiu as lagoas precisa sempre destacar para os clientes que os seus produtos não vêm do mar. “Sei que o óleo não atingiu os peixes do oceano, mas vendendo peixes da lagoa facilita para que as minhas vendas sejam um pouco melhor, mas as vezes ainda deixo de vender”. 

“Não há risco nenhum de consumir o pescado”, diz pescador

Aloísio contou que como as pessoas não conhecem de onde vem o peixe acabam acreditando em tudo o que é dito. “Em sua maioria, os peixes que são pescados no estado de Alagoas, são pegos em média entre 65 e 70 metros de profundidade, região essa onde o óleo nem chegou, então não há riscos de contaminação”. 

Ajuda do Governo Federal 

Para tentar buscar minimizar esse impacto na vida dos pescadores que foram afetados, o Governo Federal através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabeleceu que esses profissionais, que tiveram sua atividade e renda afetados pelo desastre ambiental devem receber um auxílio emergencial, mas conforme relatos da presidente da colônia dos pescadores em Alagoas, apenas alguns pescadores têm recebido esse auxilio e outros não, o que acaba agravando bem mais a nossa situação financeira destas famílias.

“Temos casos de pescadores que possuem toda documentação regularizada junto aos órgãos responsáveis, mas não estão recebendo esse auxilio. Somente nessa semana contabilizamos mais de 30 pescadores que estão sem receber esse dinheiro que deveria ser liberado pelo governo”, afirmou Maria. 

Aparecida pontuou ainda que não há um esclarecimento concreto para que a comunidade possa entender por qual motivo o dinheiro não foi disponibilizado para todos, inclusive para as Marisqueiras. “Aqui no estado não temos muito poder para que possamos cobrar, pois é uma coisa que vem de Brasília, mas iremos continuarmos cobrando das autoridades principalmente para que as marisqueiras possam receber esse auxilio, pois elas também foram diretamente atingidas”.  

O professor Igor Oliveira, pesquisador e professor do curso de Engenharia de Pesca da Ufal, explicou que em Feliz Deserto houve uma grande mortandade de massunim e sem ter o produto para vender as marisqueiras estão sem renda nenhuma. “Será necessário fazer o levantamento dos aspectos socioeconômicos desse grave derramamento de óleo no litoral nordestino”. 

Em contato com o chefe da divisão da aquicultura e pesca em Alagoas, Hugo Farias, a reportagem foi informada que a lista junto com os critérios de quais pessoas poderiam receber o auxílio foi determinada por Brasília e que nada passou por Alagoas. 

“Alguns dos motivos para que esses pecadores não estejam recebendo o auxílio pode ser não residir dentre os municípios atingidos, não está declarado como pescadores de áreas de mar ou estuário, está com os registros suspensos ou cancelados ou não possuir Registro Geral de Pesca (RGP), no sistema”. 

Hugo disse ainda que as informações estão centralizadas em Brasília e que não pode afirmar nada que possa trazer uma luz para essas famílias. “Só Brasília pode afirmar algo conforme cada caso”, finalizou. 

*Estagiário sob a supervisão da editoria