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Eu a encontrei, no centro da capital, com os olhos injetados de drogas e todas as tristezas do mundo. Estava em surto e arrastava um corpo cansado de chagas.
Ela já teve sonhos. Serenava ter sossego e descanso nos caminhos do mundo, mas, a pobreza, a opressão social e os descasos institucionais jogaram-na na vala comum.
Eu a vi no comércio, em surto e não me aproximei. Senti-me incapaz e culpada. Os olhos dela informavam da ferocidade pelo abandono social.
Eu a vi e pensei em tudo que poderíamos ter feito por ela e fizemos tão pouco. Ela só tem 21 anos,e sua vida já é um descarte social.
Eu a vi e não quis me aproximar. Ela estava em surto e eu de mãos vazias.
Eu a vi, preta,pobre,drogada e invisível nas ruas,e em mim invadiu um cansaço extremo. A sensação de enxugar gelo.
De quando em vez, minha esperança entra em surto.
Fica exausta.
E a militância se pergunta:Até quando?