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Como o leitor pode conferir, no último dia 9 escrevi aqui um texto sobre a qualidade e as expectativas em torno das Câmaras Municipais. Infelizmente, não temos muito a exaltar sobre o universo da vereança. O padrão está mais para a irrelevância do que para qualquer outra categoria de classificação. Em termos de parlamento, porém, claro que nada supera o espetáculo que se vê nas Assembleias Legislativas de todo o Brasil. Em Alagoas, num recorte temporal de poucos anos, o saldo da nossa ALE é um assombro.

O fato de sucessivos governos controlarem os deputados eleitos é quase uma besteira diante das armações que proliferam na rotina da Casa. Desde que acompanho a política por essas bandas, nunca vi uma oposição dar trabalho ao governador. A regra é um arrastão governista, não importam os partidos envolvidos de lado a lado do balcão. O governismo é uma marca permanente ali.

Em diferentes épocas, vozes com alguma independência foram raríssimas na Assembleia. Aqui, sim, a caneta do chefe do Executivo tem um poder mágico, capaz de convencer até os mais – aparentemente – inclinados ao oposicionismo. Geralmente, o ensaio de enfrentamento com o governador vira a casaca assim que o titular do Palácio Floriano Peixoto acena para o “diálogo”.

Isso sem falar nas operações policiais que expuseram falcatruas cabeludas com o orçamento do Legislativo. Em diferentes casos, deputados foram bater na cadeia, mas, com o passar do tempo, as investigações esfriam ou se perdem nos labirintos das esferas judiciais. De um jeito ou de outro, prevalece o espírito de corpo, a proteção aos pares. O essencial são os segredos da caixa preta.

Mas ter uma oposição ao governo não significa grandes coisas na ALE. Vejam o que temos nos dias atuais. Hoje, me surpreendi com uma notícia, e com uma imagem, aqui no CADAMINUTO. Este texto decorre dessa surpresa. Refiro-me ao “protesto” dos deputados Davi Maia e Cabo Bebeto. O primeiro elemento é filiado ao DEM. O segundo é uma dessas anomalias do PSL, o partido da bala.

Para mostrar contrariedade ao projeto de reforma da Previdência estadual, a dupla levou cartazes ao plenário durante a sessão desta quinta-feira. Como você vê na foto, eles tentam ironizar a postura do PT e do PC do B nos debates sobre o projeto enviado pelo governador Renan Filho. Deduzimos que a dupla critica a omissão da bancada das duas legendas. Foram omissas na defesa dos servidores.

Cadê o PT [e o PC do B] na reforma da Previdência de Alagoas?. Esta é a crítica em forma de pergunta que os dois parlamentares fazem às legendas de esquerda. Estaria tudo certo, não fosse por um detalhe: não existem deputados dessas duas siglas entre os 27 titulares na Assembleia.

Bebeto e Maia atacam dois partidos sem representantes no parlamento. Tudo isso, no fim das contas, é para defender o governo do miliciano Bolsonaro. Estão tentando dizer ao público que a esquerda bate na reforma do Paulo Guedes, mas apoia as medidas do governo de Renan Filho.

Pelo fanatismo temperado com má-fé, a dupla não se importa com o ridículo. Bebeto é um notório simpatizante da truculência policial; é seu berço, digamos assim. Maia é aluno da escolinha de Luciano Huck e, ao mesmo tempo, um papagaio a repetir as baboseiras da extrema direita ignorante.

Vejam que, na foto, que já entra para a história como uma das imagens mais bizarras da política alagoana, entre os dois patetas aparece a deputada Cibele Moura, do PSDB. É a mais jovem parlamentar eleita no Brasil. Pelo que já li sobre seu mandato, diria que está acima da média.

Se tiver um pouco de juízo, a tucana sabe que nada tem a ganhar fazendo coro para as ideias de Maia e Bebeto. Os dois estão alinhados nessa porcaria de “combate ao globalismo” e coisas assim. Além disso, o rapaz do DEM não é lá exemplo de republicanismo. Perguntem ao pessoal da prefeitura.

Um parlamento tomado pelo governismo, sem chance de um debate capaz de provocar mudanças relevantes em projetos do Executivo, nunca será saudável. Mas, na outra ponta da lógica, com uma oposição nivelada por mequetrefes como Davi Maia e Cabo Bebeto, não sei o que é pior. Bora resistir!