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O Tribunal Superior Eleitoral cassou o mandato da senadora Juíza Selma (foto), filiada ao Podemos pelo Mato Grosso. Ela foi eleita pelo PSL de Jair Bolsonaro, mas logo trocou de partido. Por 6 votos a 1, os ministros do TSE confirmaram a sentença do TRE do Pantanal. O julgamento na esfera estadual ocorreu em abril, ou seja, três meses depois da posse no Congresso. A Justiça viu provas escancaradas de abuso de poder e uso de caixa dois na campanha da implacável “caçadora de corruptos”. Ninguém previa o desfecho.

Selma Rosane Santos Arruda tem 56 anos. Exerceu o posto de magistrada durante mais de duas décadas. Ao longo desse período, segundo a crônica regional, lá em sua terra, teria se notabilizado por levar poderosos para a cadeia. A juíza surfou na onda do combate aos malfeitores da coisa pública. Na insanidade que tomou conta do país, especialmente de 2014 para cá, ela cresceu.

De carona nas estripulias da Operação Lava Jato, a doutora foi rápida no gatilho ao perceber a imensa janela de oportunidade. Quando 2018 chegou, a vestal fez o que outros valentes de mesmo tipo fizeram: largou a toga e partiu com tudo para a grande aventura da política partidária. É o pulo do gato que muitos togados, repito, praticam a cada eleição. E a tendência explodiu de norte a sul.

Muito bem. A senhora que se apresentava aos eleitores como a heroína capaz de enfrentar os piores bandidos da paróquia não foi tão honesta assim na hora de pescar votos. Segundo provas, que sua defesa não conseguiu contestar, mais de 70% dos recursos usados na campanha não foram declarados à Justiça Eleitoral. Uma arrecadação milionária sem origem, sem explicação lógica.

Para se valer do caixa dois, parece que a doutora não teve pudores quanto à ilegalidade da operação. O que importa, claro, é o firme ataque aos corruptos que tanto infelicitam as famílias brasileiras, notadamente aquelas formadas pelos insuspeitos cidadãos de bem. Mesmo destituída do mandato, por maioria acachapante no TSE, a nobre senadora garante ser vítima de “perseguição”.

A propósito, como o tribunal cassou também os suplentes da senadora, haverá uma nova eleição no Mato Grosso para que outro nome assuma a cadeira no Senado. Essa é uma decisão rara no mundo da política brasileira. Não lembro se houve algo parecido na história do Senado – um senador e seus suplentes cassados por cometerem crime eleitoral. A senadora Selma Arruda não é moleza.

Falei de como a magistrada surfou na onda da Lava Jato. Ela nem disfarça o jeitão marqueteiro nessa empreitada. Foi eleita com o nome de guerra de Senadora Juíza Selma. Para piorar, gosta de ser chamada de “Moro de saia”, numa associação ridícula com aquele juiz corrupto que usou a toga no trabalho de cabo eleitoral de Bolsonaro. Com esse modus operandi, a doutora mirava alto.

É típico do ambiente tosco do bolsonarismo que uma mulher, para merecer um selo de qualidade em seu trabalho, tenha de ser comparada a um macho da mesma área de atuação. A Juíza Selma representa essa visão de mundo. Além de imbecil, é um recurso reacionário e preconceituoso. Combina com a mente atordoada e cretina de bolsonaristas como Sergio Moro e assemelhados.

O juizinho que virou ministro do capitão da tortura usa o cargo para seu projeto pessoal. Por isso, revela a imprensa, ele vadiou pelos gabinetes dos integrantes do TSE, fazendo lobby pela absolvição da senadora. Moro é assim. Quando juiz, inventava provas pra condenar desafetos. Agora, dispensa provas pra inocentar aliados da política. Um lixo. Ele e Juíza Selma se completam e se merecem.