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A revista Time elegeu como Pessoa do Ano a ativista sueca Greta Thunberg. Com 16 anos, a garota se tornou símbolo da defesa do meio ambiente. Seu protesto solitário, que ocorria a cada semana em Estocolmo, atraiu atenção do mundo. Ela cobra de grandes líderes e das potências econômicas medidas de combate a mudanças climáticas e ao aquecimento global. Logo se tornaria também alvo de extremistas que negam a ciência e juram na cruz que a Terra é plana. É o caso do seu Jair, esse farol do reacionarismo.

O reconhecimento da Time, uma escolha sempre muito aguardada a cada dezembro, deixa o presidente Bolsonaro atarantado. Tosco e violento, fã de torturadores, ele jamais entenderá como e por que uma adolescente é capaz de mobilizar uma audiência planetária. Mais que isso: deve ser um sofrimento ter de engolir que uma ativista como Greta seja respeitada como ele jamais será.

Por isso, ao falar com sua plateia de dementes adestrados – aqueles que ficam no cercadinho em Brasília –, o miliciano chamou a ativista de “pirralha”. Coitado! Inteligente e espirituosa, ela deu o troco imediatamente, de um modo desconcertante: adotou, em suas redes sociais, o termo usado pelo imbecil. Alguém precisa avisar à seita bolsonariana que isso se chama “fina ironia”.

Bolsonaro tem quatro filhotes na política. Um deles, Eduardo, o maloqueiro Zero Três, era o favorito do pai para o posto de embaixador em Washington. A decisão presidencial, meramente anunciada e jamais confirmada, é uma das maiores piadas de todos os tempos na vida pública brasileira. A reação foi tão forte que a porcaria que despacha no Planalto teve de recuar. Apenas outro vexame.

Por que lembro essa presepada? É que na cabeça de alguém como Bolsonaro o que vale, como ele mesmo não para de repetir, é a “caneta”. Se é o dono do poder, então a ele tudo é permitido. A embaixada mais importante para o país? Ora, vai um filho meu, a quem vou sempre privilegiar com o “filé mignon”. Foi assim que o presidente da República justificou a escolha de um embaixador!

Sendo esse o padrão moral e intelectual de um homem público, resta o espanto frente a um fenômeno como Greta Thunberg. Compreender com clareza a dimensão dos méritos da ativista está além do alcance para um elemento como Bolsonaro. Daí sua repulsa, com raiva e estupidez.

E qual o resultado para o presidente do Brasil com essa polêmica? Para sua tribo de ignorantes, uma beleza. Para o campo civilizado, ele não passa de um pateta beligerante, reafirmando toda sua irrelevância. Greta, ao contrário, embora não precise disso, amplia sua influência mundo afora.

Bolsonaro tem aliados na imprensa. Entre outros, os mais degenerados, que também vivem a fazer piada sobre Greta, são Augusto Nunes, Alexandre Garcia, Felipe Moura Brasil, José Roberto Guzzo e José Nêumanne. Ernesto Lacombe se esforça pra estar à altura dos “mestres”. É lixo pra todo lado.

A tragédia na imagem do Brasil é algo sem precedentes. O país passa uma vergonha atrás da outra sob o governo de um presidente incapaz, que exalta o que há de pior em todos os sentidos. Nunca o Estado brasileiro esteve associado a milícias, ao elogio de preconceitos e extermínio de minorias.

Tudo isso em menos de um ano de mandato. Como já escrevi aqui mais de uma vez, não tenhamos surpresa: a coisa vai piorar, sempre, numa velocidade descomunal. É o DNA de uma turma movida por ideias das mais obscurantistas. Por isso, uma pirralha ironiza e enquadra o Jair marginal.