Foto: Blog Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true De um lado, a nova miss universo; do outro, Jennyfer

Foi ainda quando eu era criança que escutei de um amigo do meu irmão que meu cabelo era ruim e só servia para limpar panela. Lembro que eu odiava meu cabelo por causa disso. Eu chorava, pedia que minha mãe me levasse para um salão para alisar ele e tinha vergonha quando alguém chegava perto de mim e comentava algo sobre ele.

Superei e aprendi a entender que esse é meu cabelo. Cresci também ouvindo que todo negro era bandido e que minha cor da pele afastava muitos homens que queriam namorar. Afinal, eles queriam namorar uma mulher branca e não comigo. Por muito tempo acreditei nessa afirmação, mas hoje em entendo que amar outra pessoa vai além da cor da pele.

Li essa semana duas situações diferentes sobre duas mulheres negras. Uma que se tornou a nova Miss Universo. A outra – enquanto participava do programa do Silvio Santos – foi alvo de racismo. Vocês devem ter lido sobre o caso das duas. 

Enquanto a miss Zozibini Tunzi ganhava uma coroa e fazia um belo discurso sobre representatividade negra, a outra tinha a coroa retirada em uma tv aberta. 

São duas mulheres diferentes, mas com histórias que possuem lições importantíssimas para nós. Eu me nego a acreditar que o racismo ainda existe. Para mim, chega a ser surreal que alguém diga algo sobre a pele do outro. Para mim, a pele do outro não significa nada. Ela é apenas uma pele, uma cor. Uma cor que não muda em nada na nossa vida, que não interfere nos nossos caminhos.

Estava procurando o que escrever ontem sobre a miss Universo, mas foi na rede social do Padre Fábio de Melo que encontrei o que eu queria dizer, mas que não sabia como. Ele escreveu: Tão bonito ver o mundo mudando. E o melhor: aproveitar para mudar também. Fazer cair as escamas dos olhos, desmascarar os preconceitos velados, perceber que não é engraçado fazer piada à custa do sofrimento de alguém, abandonar a pretensão de que o outro precisa acreditar em Deus da mesma forma que eu, desmerecer quem quer que seja. A miss Universo é negra. Mas não é por ser negra que ela venceu. É por ser a que mais teve os elementos necessários para vencer o concurso, inclusive a beleza. Nem acompanho estes concursos, mas a notícia me alegrou, polvilhou esperança sobre a minha alma. Viva a África! Viva o povo negro! Viva o novo entendimento”.

É isso. Zozibini não ganhou porque era negra, mas sim porque ela teve os elementos necessários para vencer o concurso e isso é ver o mundo mudar. Saber que a miss Universo é negra é quebrar com todos os padrões de beleza que foram impostos de que mulher bonita e que namora tem que ser branca. É mostrar para quem é negra que ela é bonita do jeito que é e que tem alguém ali representando ela.

No caso de Jennyfer Oliver que foi vítima de racismo, vemos que ele ainda é tão explícito que passa bem na nossa tv. E nós, sentados no sofá, assistimos tudo (muitas vezes) sem indignação alguma.

Que a coroa que foi colocada em Zozibini também esteja em Jennyfer, em Maria, Tereza, Fernanda. E o mais importante: que esse racismo que tanto nos afeta, nos mata, nos agride, seja retirado do nosso caminho.

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