Produção da Netflix com Scarlett Johansson é o melhor filme do ano - "História de um Casamento"

  • Bruno Omena
  • 08/12/2019 10:16
  • Resenha100Nota

Chega à Netflix "História de um Casamento" (2019), filme do diretor Noah Baumbach estrelado por Scarlett Johansson e Adam Driver, que traz um casal enfrentando o divórcio em meio à uma confusão de sentimentos.

O longa de Baumbach deve receber indicações para as principais categorias da próxima edição do Oscar e já tem minha torcida. Joaquin Phoenix, até então super favorito pela atuação em "Coringa", ganhou um concorrente de peso. Adam Driver está excelente em um papel mais difícil e sem bengalas de interpretação. Scarlett Johansson faz de tudo aqui. Dança, atua, ri, chora e faz chorar. Juntos, Driver e Scarlett fazem um casal verdadeiro, cuja emoção salta para o espectador. Quando eles estão felizes nós estamos ótimos e quando as lágrimas vêm, bem...
É o êxito da direção em proporcionar emoções genuínas e conectar produção e público. Prestem atenção nos símbolos que a todo momento surgem em tela. É o filme conversando com você o tempo todo.

No início temos o casal lendo em silêncio o relato que cada qual fez sobre as qualidade do parceiro. O objetivo era que o material lido em voz alta pudesse servir para lembrar os motivos que os levaram a se apaixonar pelo outro, visto que durante o processo de separação tais memórias poderiam ser deixadas de lado. Perceberam que "História de um Casamento" já começa metendo o pé na porta dos canais lacrimais?

Porém, diante de mágoas e ressentimentos, as coisas boas vão ficando em último plano. Nicole (Johansson) sentia que no casamento seus desejos eram pouco respeitados e por isso acabou vivendo mais a vida de acordo com a direção apontada por Charlie (Driver). Ela queria algo dela e só dela. Queria mais espaço do que tinha vivendo imprensada trabalhando com marido em Nova York.
Ele queria seguir a vida no ritmo de suas escolhas. Amava o que tinha e isso o impedia de ver que a relação é construídas por "EU", "ELA (E)" e "NÓS". Na verdade ele sabia, apenas não percebeu que Nicole se sentia como apêndice e não como um órgão vital.
E no meio dessa relação, um filho disputado por duas pessoas competitivas que buscavam o "EU".
Sentimentos à flor da pele nos fazem desabar com um simples "Como você está ?", e colocar pra fora o que magoa e o que pode magoar. Muitas palavras ditas no calor do momento não refletem a verdade sóbria, apenas mentiras bêbadas para fazer o outro sentir a dor que você precisa compartilhar e a forma que encontra é machucando quem ama.
Quando há a terceirização da comunicação o assunto íntimo torna-se impessoal. Números, coisas e dias. É a incapacidade de gerir os próprios sentimentos. De fato não é fácil.

Com tempo sua foto não está mais na parede, você não faz mais parte da banda. No anúncio do fim dos Beatles a manchete era: "O Sonho Acabou". Talvez sim, mas se você ler em voz alta a carta que um dia escreveu e tudo aquilo ainda fizer sentido, verá que o sonho pode acabar, mas o amor não.

10.0

*Disponível na Netflix

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