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Jair Bolsonaro tinha uma curiosidade sobre a vida pregressa da deputada Carla Zambelli. Já eleito presidente, ele perguntou a também deputada Joice Hasselmann se Zambelli teria sido garota de programa na Espanha. Não se sabe por que o seu Jair desconfiava de um passado de prostituição da parlamentar recém-eleita. Ela e Joice conquistaram o primeiro mandato pelo mesmo PSL de São Paulo. De amiguinhas fanáticas pelo bolsonarismo barulhento (foto), passaram a inimigas até o último fio dos cílios alongados.

Esse enredo veio a público na última quarta-feira 4, quando Joice prestava depoimento na CPMI das Fake News. É aquela comissão criada para investigar a produção e distribuição de falsidades e boatos pela internet. Do jeito que vai, a investigação tem tudo para dar ao país grandes momentos de confusão e humor – e quase nada que ajude a combater a criminosa atuação de milícias digitais.

Transformar a comissão num grande circo, num palco de piadas e impropérios, é tudo o que querem os patrocinadores dessas milícias virtuais. Quanto mais bagunça, menos credibilidade nos trabalhos da CPMI. Quem ganha com isso é a turma de Bolsonaro, formada pelos filhos do presidente e outros delinquentes selecionados no submundo dos sites de aluguel, como o tal do Terça Livre.

A troca de insultos entre Joice e Zambelli traduz o padrão da Bancada do Selfie. São os parlamentares que substituem os debates no parlamento por gravações no celular. Eles passam as sessões gravando uns aos outros e a si mesmos, para prestar contas à horda de fanáticos seguidores.

Grande parte dos eleitos do PSL representa esse tipo de “prática política”. São figuras estranhas que pescaram um mandato na base da gritaria, de memes e de chiliques pelas redes sociais. Direto do YouTube e do Instagram, com boçalidade e ignorância, subcelebridades falam em nome do povo.

No arrastão da estupidez bolsonarista, a festejada renovação da política deu num Congresso que não tem paralelo na sua mediocridade estrondosa. Ainda que ao longo da História tenhamos casos de deputados e senadores nada virtuosos, o atual parlamento é imbatível na escala de ruindade.

Vai piorar. Se o panorama desde o começo é uma usina de presepadas, imagine o que não teremos com o Aliança pelo Brasil, o partido familiar e miliciano inventado por Bolsonaro. A nova legenda deve contar com os descontentes do PSL, que não respiram sem as ordens do capitão da tortura.

Para a família Bolsonaro, é o melhor dos mundos. Quanto mais baixaria, mais o país perde tempo com falsos debates. É a estratégia do diversionismo, como já foi apontado por muita gente. A seita tem de ser abastecida permanentemente com falácias que gerem mobilização em defesa do governo.

É nesse estado de calamidade social que se inscreve o embate entre Joice e Zambelli. Se uma foi ou não foi garota de programa, não há problema nenhum. A tragédia é que a pauta do Poder Legislativo tenha sido sequestrada por um bando de alucinados que só pensa em selfie, censura, bala e morte.