Foto: Daniel Paulino / Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Humberto Barbosa

As manchas de óleo que atingiram as praias do Nordeste diminuíram, segundo o Ibama. Mas ainda não se sabe quem causou o derramamento de óleo e se ele pode voltar. 

Em Alagoas, o pesquisador Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, da Ufal, teve forte atuação no caso das manchas e apresentou teorias, e até navios suspeitos pelo derramamento.

Ao Cada Minuto, Humberto falou sobre quais são os próximos passos da sua pesquisa, sobre os impactos ambientais e sobre as evidências. Para eles, os pescadores foram os mais afetados.

1) O caso das manchas de óleo teve uma grande repercussão não apenas no Nordeste, mas em todo mundo. O senhor apontou, através das suas pesquisas, o navio responsável pelo derramamento de óleo. Finalmente, quem derramou o óleo que atingiu várias praias do Nordeste?

Inicialmente buscamos encontrar o responsável pelo derramamento ou a origem, mas a principal evidência e motivação que fez com que o laboratório de análise participasse do processo foi primeiro responder se as imagens de satélites poderiam capturar as manchas de óleo que estavam chegando no Nordeste. As outras evidências foram complementando. Respondemos rapidamente. Nós sabíamos que ia depender das imagens retroativas, ou seja, teríamos que recorrer a imagens desde julho até agosto para buscar padrão ou assinatura que pudesse ser utilizada como referência. Sobre a origem, fomos atrás das análises e descartamos que o petróleo não tinha associação com o petróleo do Brasil. Isso eliminou outras evidências. Vimos que nesse tempo tinha um navio suspeito que era o boubolina, de acordo com a Marinha. Fomos avaliar a situação e achamos que tinha uma ligação com esse quebra-cabeça, mas avaliamos que o navio tinha passado no local dois dias depois. Depois de fazer várias análises voltamos a estaca zero: ou seja, o navio que passou por ali continua fantasma e não temos informações. Das duas manchas  estão associadas com passagens de navio ou com navio, mas a gente não sabe porque não tem um papel de vigilância porque usamos imagens de satélites que nos proporciona a localização e também localiza o navio, mas não diz quem é o navio.

2) Sua teoria foi contestada por outros pesquisadores e pela Marinha. O que o senhor acha disso? Acredita que as suas teorias sobre o óleo estão certas? E por quê?

As nossas evidências foram públicas para que a sociedade civil e especialistas pudessem ter os mesmos dados. De certa forma, as nossas evidências eram baseadas em informações técnicas, algumas foram necessárias fazer uma validação, mas o que a gente acha e o que foi mais importante era se a gente tivesse tido a desde o início do derramamento uma cooperação maior das autoridades para validar o que estávamos vendo nos satélites e com os navios da Marinha mostrando onde estava a localização das manchas. Houve um atraso grande de começar a olhar isso e a gente teve que olhar imagens quase dois meses atrás isso dificultou para que as evidências pudessem ser conclusivas. Para eu validar eu tenho que ir até a região para olhar o que estou vendo. Ciência é você ter uma hipótese e ela se confirmar ou não, você precisa de dados ou informações. Assim como a gente tem certeza que a origem do derramamento não está associada a navios, a gente sempre teve a hipótese e algumas evidências de que o derramamento teve outras origens. Obviamente os navios podem ter contribuído para o derramamento, mas acreditamos que tem outras origens. Pode ter sido derramamento de poços de petróleo, assim como também de origem natural, o subsolo do oceano pode ter provocado um abalo sísmico.

3) Quais são os próximos passos da sua pesquisa?

O passo mais importante que a gente conseguiu foi trazer as informações para uma plataforma que permite a integração de dados e estamos aperfeiçoando a plataforma para que qualquer pessoa possa usar a ferramenta como auxílio de monitoramento. A gente precisa de monitoramento contínuo e é nesse contexto que precisamos estar. Estamos contribuindo com a Polícia Federal e com a comissão do Senado.

4) Essa situação do óleo “minimizou”, mas o meio ambiente ainda está prejudicado? Como?

O primeiro impacto é olhar a questão da pesca artesanal e os pescadores são os mais afetados nessa cadeia. O preço do peixe caiu muito e isso afeta diretamente e não há planejamento socioeconômico para protegê-los das perdas. Muitos relatos questões psicológicas e isso afeta. Os impactos na fauna e na flora são significativos e isso afeta e não temos a dimensão real de qual impacto e até quando vamos saber do impacto, mas o que nos preocupa são os pescadores artesanais que precisam sustentar as famílias e não há nenhuma situação que os protejam. É uma questão bastante sensível. Além do turismo que foi afetado. Tem sido declarado que tem sido encontrada menos manchas, mas não sabemos a origem, não sabemos se foi um momento ou se isso vai voltar.

 


 

*Estagiário sob a supervisão da editoria