Foto: Assessoria
Deputado Davi Maia

O projeto da reforma da Previdência encaminhado à Assembleia Legislativa e retirado de pauta nessa quarta-feira (05) após o pedido do deputado Antônio Albuquerque gerou polêmica dentro da Casa Tavares Bastos na manhã desta sexta-feira (06). De um lado, deputados estaduais criticaram o Governo de Alagoas. Do outro, membros de sindicatos aguardavam na galeria e na porta da Assembleia para chamar atenção dos parlamentares para que eles não aprovem a reforma. 

A proposta prevê uma alíquota de contribuição que passa dos atuais 11% para 14%. Indignados, alguns servidores ocuparam a galeria do plenário.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Ricardo Nazário, disse que o projeto enviado pelo governador Renan Filho é terrível e que sacrifica aposentados e pensionistas. "Hoje o aposentado tem um desconto no seu salário em torno de R$ 140 e com essa aprovação vai aumentar para R$ 900, então os aposentados e pensionistas já vivem com os recursos escassos e com essa aprovação vai piorar".

"Estamos fazendo um corpo a corpo com os deputados e buscando sensibilizar os parlamentares", destacou o presidente.

A policial civil, Marluce Oliveira, disse ao Cada Minuto que aprovar o projeto é um retrocesso.  "Não é admissível que isso possa ser aprovado, é um retrocesso para aqueles direitos que já conquistamos, iremos lutar até o fim para que isso não seja aprovado", destacou Marluce.

Na sessão...

Dentro do plenário, o deputado estadual Davi Maia foi o primeiro a usar a tribuna. Davi Maia afirmou que é a favor da reforma da Previdência e que sempre foi claro no seu posicionamento, mas que o senador Renan Calheiros e que o Governo Renan Filho sempre se posicionaram contra a reforma.

“Nós tivemos um jogo de incoerência absurda. Os nove governadores levaram uma carta ao presidente contra a reforma da Previdência, e que ela não deveria acontecer, que estávamos pegando no pé dos mais pobres”, comentou Maia.

Davi citou como exemplo o Maranhão que aprovou a reforma em 24h. O deputado leu alguns tweets que foram publicados pelo senador Renan Calheiros, o vice-governador Luciano Barbosa, o governador Renan Filho, o secretário de comunicação Ênio Lins e fez uma crítica a cada um deles.

“Muito pior do que um posicionamento é a covardia. É não assumir posicionamentos. Passamos um ano cobrando o posicionamento do governo e dizendo que estava na hora dele debater e mostrar. E agora estamos todos nós fazendo um debate que era pra fazer o ano todo”, afirmou Maia.

O deputado disse que quem deveria estar constrangido hoje era quem disse que era contra a reforma da previdência. “Vamos fazer a reforma e vamos desmascarar os desmascarados”, disse.

A deputada Ângela Garrote disse que “a Casa de Tavares Bastos não balança a cabeça pro governador e que a reforma precisa ser aprovada, mas não como o governador mandou”.

Camisa de força para os estados

Já o deputado Silvio Camelo (PV) se posicionou contra o deputado Davi Maia e disse que quando a reforma foi aprovada em Brasília foi colocada uma camisa de força para que os estados fizessem. “Se Alagoas não aprovar a reforma vai perder empréstimos e transferências de recursos da União. O estado foi obrigado por força de lei de se fazer a reforma”.

Por fim, Antônio Albuquerque aparteou o deputado Davi Maia e disse que não tinha conversado com nenhum sindicato e que a votação dele seria a luz da consciência dele. “E será também a luz da minha convicção, dentro dos meus compromissos e da natureza política. Meu mandato e meu cargo é político. Nunca tive relações com sindicato. Eu nem sabia, nem conversei com nenhum deles, nem vou”.

Albuquerque disse que sabe como a matéria voltar à Comissão de Justiça, de Orçamento, ou na sétima comissão. “As minhas posições aqui serão adotadas a luz dos meus compromissos políticos que em momento algum deixei de cumprir”.

Antônio disse que quer tomar conhecimento minimamente de como o projeto chegou e disse que não se sente preparado para discutir a matéria. “O meu conhecimento é insignificante, mas meu compromisso com o estado é gigante. Tenho consciência de que as prerrogativas que são inerentes ao exercício do meu mandato estão amparadas no regimento”.

*estagiário sob a supervisão da editoria