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(*) Suzann Flavia Cordeiro de Lima

A violência urbana vem atingindo níveis assustadores, com dados estarrecedores que crescem em progressão exponencial, mas não é um fenômeno novo, nem mesmo específico das cidades. Cada vez mais, somos bombardeados com noticiários sobre uma violência (des\re)territorializada, que se espraia nas mais diversas localidades e contribui para a construção de uma sociedade cada vez mais individualista, egoísta e exigente de vingança social para os (outros) atores da violência, sem tomar consciência de que é a produtora deste fenômeno.  

Estes atores têm sido escolhidos a dedo, como “bodes expiatórios” para uma vingança social, com nomes, endereços, cores, classe social, baixa escolaridade e falta de emprego, cuja existência e referência são subliminares (e implícitas) aos diversos discursos sobre combate à violência... A cidade “permitida” não tem limites, mas a cidade “proibida” tem! São tantos os homens e mulheres nos entremeios das manchetes, cruzes sem nomes, sem corpos e sem datas!  São tantos “contratempos” inglórios, histórias que a história qualquer dia haveria de contar...

O professor Geraldo de Majella, alagoano, historiador, revela-se na sua extraordinária militância em defesa dos direitos humanos. Esta obra é mais uma contribuição deste homem corajoso, guerreiro, resiliente, que não se rende ao ceticismo nem esmorece diante da desesperança que nos engole. Sua narrativa sobre os contrapontos, dobras e revides da política de segurança publica do estado de Alagoas é esclarecedora e, ao mesmo tempo, estarrecedora. Demonstra, como dizia Gonzaguinha, os entremeios de narrativas de “Memórias de um tempo onde lutar por seu direito é um defeito que mata”...

O livro Maceió em Guerra: Exclusão social, segregação e crise da segurança pública se divide em três partes, com 20 capítulos que contextualizam historicamente a construção da uma cultura de segurança urbana a partir de atuações e interesses familiares espacializados (parte 1), a atuação dos três poderes consolidada a partir destes vínculos históricos e a consequente institucionalização da violência (parte 2), e, por fim, as espacializações cambiantes que nos apontam para um futuro cada vez mais certo, baseado em atuações e políticas incertas, que multiplicam a violência que vivenciamos hoje (parte 3).

Estas poucas palavras não fazem jus à imensa contribuição que o descortino corajoso das narrativas deste livro nos proporciona. Que os leitores façam bom uso do conhecimento exposto nas páginas que seguem, tão deslumbrados e estarrecidos como eu.

Muito grata, Professor Geraldo de Majella.

(*) Arquiteta e Urbanista, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com pós-graduação em arquitetura penal e em materiais e gestão de projetos. Pós-doutorado em Criminologia pela Katholieke Universiteit Leuven, Belgica.