Foto: Cortesia Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Agência bancária de Estrela de Alagoas

Os roubos às agências bancárias diminuíram 85%, em comparação ao ano anterior, no período de janeiro ao mês de junho, em todo o Estado de Alagoas. Os indicadores criminais foram divulgados pela Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC), que é composta pelos delegados Fábio Costa, Thiago Prado e Cayo Rodrigues.

Em entrevista ao CadaMinuto, o delegado de polícia Fábio Costa (gerente de Recursos Especiais – GRE/DEIC) informou que essa é a maior redução nos roubos a bancos no Estado. No primeiro semestre de 2018, Alagoas registrou 20 assaltos a bancos; já no mesmo período de 2019, foram registrados apenas três ocorrências.

“Este era um crime que afligia o Estado e trazia prejuízos bilionários para Alagoas, de forma direta e indireta”, relatou o delegado.

Questionado sobre as principais atuações da DEIC - que teve sua nova gestão iniciada no mês de setembro de 2018 - Fábio Costa contou que o maior foco na Divisão é desarticular organizações criminosas em todo o Estado. “A DEIC tem sido bastante atuante no combate aos crimes cibernéticos que conta como titular o delegado Thiago Prado, e também tem mostrado resultados surpreendentes no combate de roubos a bancos que têm como titular o delegado Cayo Rodrigues”, explicou.

Além da atuação no próprio departamento, Fábio Costa disse também que é comum a DEIC prestar auxílio em ações da Delegacia de Homicídios e Proteção à pessoa (DHPP) nas investigações de casos de homicídios e também à Delegacia de Narcóticos (Denarc).

Baixo efetivo

Apesar da redução nos índices de violência no Estado de Alagoas, o número de profissionais da segurança pública no Estado preocupa, pois, segundo a Lei nº 5.496 de 1993, sancionada pelo até então governador Geraldo Bulhões, o número de agentes da Polícia Civil deveria ser de quatro mil profissionais, porém, tal determinação não é cumprida em Alagoas que, atualmente, conta com um efetivo de 1600 policiais divididos nas 141 delegacias da PC/AL..

A reportagem entrou em contato com Ricardo Nazário, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) e, segundo ele, os profissionais da polícia se

deparam com péssimas condições de trabalho. Além disso, o presidente relatou que dos 1600 profissionais da polícia, 600 já estão aptos à aposentadoria.

Ainda segundo Nazário, outro ponto a se destacar é a precariedade de algumas unidades de segurança do Estado, como é o caso dos Centros Integrados de Segurança Pública (Cisp’s), que “além de colocar em risco a vida dos profissionais e da população que é atendida, não fornece uma integração entre os policiais e também apresentam falhas estruturais”.

Para o delegado Fábio Costa, Alagoas tem uma cultura de realizar concursos públicos para a Polícia Civil a cada dez anos - os últimos registrados foram em 2002 e 2012 - enquanto em outras instituições, a nomeação de novos profissionais é feita a cada dois anos ou, até mesmo, anualmente.

“Como pode reclamar depois do aumento dos resultados se não há aumento do efetivo da Polícia Civil?”, indagou, durante entrevista, o delegado. Ainda conforme Fábio, a realização de concursos públicos não melhora apenas a questão da quantidade de profissionais, mas também oxigena o efetivo da polícia com a inserção de novas pessoas com um ânimo maior para auxiliar nas investigações.

Paralisação e negociações

Ainda de acordo com Nazário, tais condições de trabalho possibilitam uma paralisação das atividades dos profissionais. “Caso não avancemos nos pleitos da categoria, iremos decretar greve geral em todo o Estado; mas, no momento, estamos abertos ao canal de negociação com a Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag)”.

Questionado sobre a atual situação dos pleitos e negociações, o presidente do Sindpol explicou que já houve duas reuniões com o Governo de Alagoas e que a categoria aguarda um posicionamento para que os próximos passos sejam avaliados.

Consequências

O baixo efetivo na Polícia Civil resulta para a sociedade, segundo o presidente do Sindpol, em um atendimento demorado, além da lentidão no andamento nas investigações que chegam às delegacias, resultando na impunidade para quem comete algum crime no estado de Alagoas.

“Hoje, temos mais de dez mil inquéritos policiais abarrotados nas delegacias porque não tem policial suficiente para dar andamento às investigações. O inquérito policial é aberto, mas fica nos birôs dos delegados porque também falta delegado. Não há efetivo suficiente”, desabafou.

Com isso, segundo Ricardo, o profissional da polícia adoece, acaba recorrendo ao afastamento médico e, até mesmo, pode entrar em depressão, “pois não existe um suporte multidisciplinar de psicólogo, psiquiatra, assistente social para dar atendimento e suporte ao policial”, explicou.

Concurso público

Além da disparidade entre o número de profissionais nas polícias civil e militar, existe também uma distância entre os concursos realizados para ocupação de cargos nas duas áreas, no Estado de Alagoas. Enquanto nos anos de 2017 e 2018 ocorreram, consecutivamente, concursos públicos para o ingresso na Polícia Militar, o último concurso público realizado para cargos na Polícia Civil foi em 2012.

De acordo com informações da Seplag, existe previsão para que seja realizado um concurso público para a Polícia Civil em Alagoas (PC/AL) no ano de 2020, porém, ainda não há previsão para a publicação do edital do certame.

Ainda segundo a Seplag, no último concurso realizado para a área, foram ofertadas 240 vagas para o cargo de agente de polícia, 40 para delegado de polícia e 120 vagas para o cargo de escrivão de polícia.

Ações nas redes sociais

Consideradas umas das principais ferramentas de comunicação, as redes sociais são uma alternativa para profissionais que encontram nelas a oportunidade de se aproximarem do público. Quando o assunto é a segurança pública, não é diferente. Isso porque, com o objetivo de mostrar à população como funciona o trabalho da Polícia Civil, a internet tem sido um dos canais de comunicação utilizado pelos profissionais da DEIC.

Para Fábio Costa, “a demonstração nas redes sociais das nossas operações mostra que o profissional da Polícia Civil não é aquele que fica apenas na delegacia registrando o boletim de ocorrência, mas sim uma polícia investigativa. A gente demonstra nas ruas como isso ocorre e mostra à população como é o desenrolar do trabalho da polícia”, explicou.

O delegado disse ainda que existe um retorno muito positivo por parte da população. “Essa divulgação tem trazido um reconhecimento muito grande. Quando não havia divulgação, o trabalho não era devidamente valorizado”, disse.

Como resultado, Fábio contou também que além da interação por parte das pessoas, a presença nas redes sociais resulta, inclusive, a denúncia de outros casos.

Operação Navalha

Na última segunda-feira (11), durante a segunda fase da Operação Navalha, quatro agentes da Polícia Civil de Alagoas foram presos suspeitos de extorsão e de integrar uma organização criminosa com atuação em feiras de Maceió. O grupo, que é considerado integrante de uma organização criminosa, é suspeito de envolvimento no crime de extorsão contra comerciantes. De acordo com a polícia, os quatro suspeitos utilizavam aparatos da PC para enriquecimento ilícito.

Questionado sobre o caso registrado envolvendo colegas de profissão, o delegado contou que essa foi a primeira grande operação, na atual gestão da DEIC, envolvendo uma organização criminosa de policiais civis com desvio de conduta.

Para ele, a ação “passou um recado muito claro que a Polícia Civil não tolera mais a corrupção na instituição ou qualquer ato de extorsão que era recorrente. Isso demonstra que fatos dessa natureza serão combatidos e reprimidos com todo vigor e toda força”, salientou Fábio Costa.

O delegado alegou também que deflagrar esse tipo de operação não deixa a polícia feliz por se tratar de pessoas que são conhecidas na rotina da polícia, porém, esse tipo de ação “acaba fazendo parte das nossas atribuições e, infelizmente, nós temos que fazer valer a lei independente de quem seja o envolvido na prática dos crimes", disse.

*estagiárias sob a supervisão da Editoria