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Renato Gaúcho, o treinador do Grêmio, diz que o presidente Jair Bolsonaro “faz um excelente trabalho”. Do alto de sua envergadura moral e intelectual, o boleiro acrescenta o seguinte: “Ele vai dar jeito no Brasil, ele vai mudar o Brasil”. As declarações foram dadas durante entrevista coletiva nesta sexta-feira 15, ocasião em que o técnico disse ter conversado por telefone com o capitão parceiro de milicianos. A postura do ex-jogador faz todo sentido, combina com o mundo da bola, esse antro de estúpido reacionarismo.

Ainda bem que o argentino Jorge Sampaoli pensa exatamente o contrário do analfabeto político brasileiro. Segundo leio no site da Veja, o treinador do Santos é “avesso ao governo” do adorador de torturadores. Bolsonaro afirma que vai ao jogo entre o time da Vila Belmiro e o São Paulo. Sampaoli avisou que não pretende ter contato nenhum com o desqualificado que ocupa o Planalto.

Ainda segundo a imprensa, a torcida santista também se manifestou contra a presença do pai do Carluxo na Vila. O repúdio de torcedores ao presidente-porcaria subiu no Twitter a hashtag #BolsonaronaVilaNão. O marginal que tomou o país de assalto, com uma gang de aliados e uma tropa de fanáticos, usa o esporte mais popular do país para se promover. Repete os ditadores de 64.

Mas eu falei do universo futebolístico como antro de reacionários. É uma lamentável tradição nacional. Os anos passam, mas as coisas ficam ainda piores. Vendo os jogos do Brasileirão pela TV, é comum notar o gesto degradante de tantos e tantos jogadores na hora de comemorar um gol: correm “atirando” com as patas, no gesto clássico do imbecil presidente. Que bela mensagem!

Conhecemos Renato Gaúcho há quase 40 anos. Dentro e fora das quatro linhas, o sujeito sempre foi um exemplo das piores mazelas de caráter. Grosseiro, vastamente inculto, dono de uma boçalidade que transborda até nos cabelos, é o típico “sujeito homem” que os cidadãos de bem celebram. Tem mesmo de rastejar pelo capitão. É a essência de um pensamento cretino e desonesto.

Antes de seguir sobre, digamos, a Ideologia da Bola, levanto uma variável adicional que pode explicar essa declaração de amor feita pelo treinador do Grêmio a Bolsonaro. Renato quer derrubar Tite do comando da Seleção Brasileira. Ele só pensa em tomar o lugar do atual “professor”. Já a CBF está aboletada no governo do Jair. Uma tabelinha infernal. Trocando passes, é só cruzar na grande área.

Nas entrevistas, o tal Renato é pródigo em agressões a colegas de trabalho, a torcedores e aos adversários. Vive dizendo que é o melhor treinador do país e que seu time é igualmente o que há de mais incrível nos gramados. Este ano de 2019, porém, sua tosca verborragia não bateu com os resultados dos jogos. Ele dançou na Copa do Brasil, na Libertadores da América e no Brasileirão.

É mesmo lastimável o nível mental de nossos atletas da bola. Isso vale para os medalhões no topo da carreira, com salários abusivos e privilégios que fazem deles uma casta. Pense em Neymar Júnior e Daniel Alves. Essa dupla tem tudo a ver com o técnico gremista, resume um padrão. É tudo cabra macho – macheza pra sonegar imposto, fantasiar contusão, fraudar contratos e bater em mulher.

Um pouco de História. Para arredondar e fazer a ultrapassagem na linha de fundo, uma lembrança saudável: penso na Democracia Corinthiana. O oposto do bolsonarismo. Salve Doutor Sócrates, Casagrande, Zenon e Wladimir, os criadores de um movimento que estremeceu o autoritarismo no futebol brasileiro. Foi no alvorecer dos anos 1980. É, andamos para trás, nessa chuva de gol contra.