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Durante as décadas de 1990 e 2000 a cidade de Florianópolis, capital de Santa Catarina, ficou conhecida como um dos mais procurados balneários turísticos do país. Suas belas praias e a saborosa gastronomia atraiam pessoas de várias partes do país e do mundo.

Basicamente, a economia da cidade girava em torno das atividades mercantis (comércio e serviços) e do setor público. Claro que no interior a agricultura de grãos e o cultivo de base familiar, característica fundamental da formação econômica do estado, também se destacava na formação do PIB estadual.

O desenvolvimento industrial de Santa Catarina se concentrou nas regiões Norte (polos moveleiro e metal-mecânico) e Sul (polos de plástico, carbonífero e cerâmico). Destaca-se o Vale do Itajaí onde se concentra a indústria têxtil e de vestuário e a atividade fabril naval.

Portanto, como se percebe resumidamente, trata-se de uma estrutura econômica e produtiva bastante diversificada que se distribui por todo o estado, com certos níveis de produtividade média, principalmente em função do elevado grau de educação da sociedade. Mesmo assim, Florianópolis guardava aquelas características mencionadas logo acima.

Muito recentemente, em menos de duas décadas, mesmo com uma economia robusta e dinâmica, o estado de Santa Catarina não se conteve e por vários governos iniciou uma trajetória de desenvolvimento das atividades de ciência e tecnologia. Apostou no futuro.

Em Florianópolis se ergueu um dos mais interessantes e pujantes ecossistemas de produção de tecnologia e inovação. A chamada tríplice hélice, conhecida pela interação entre as empresas, governos e universidades, começou a girar em alta rotação e atualmente cerca de 40% do PIB da capital catarinense nascem das empresas de base tecnológica e inovadoras, que desenvolvem produtos e serviços.

Trata-se de um dos ambientes de promoção da inovação mais robustos do país, envolvendo incubadoras de projetos, aceleradoras de empresas, espaços de coworking, laboratórios de prototipagem, parques e polos tecnológicos. Claro que nada disso seria possível se não contasse com uma estrutura de ensino superior (Universidades, Centros Universitários e Faculdades) que não se conectasse com as novas tendências de ensino, formação e necessidades tanto da sociedade, quanto das políticas públicas e estratégias empresariais.

Importante lembrar que foi fundamental, também, a ação do governo federal, pois com suas agências de promoção da ciência, da pesquisa e da inovação, tais como o CNPq, CAPES e FINEP, Santa Catarina não teria aproveitado as condições dadas pela expansão dos recursos da União, em um contexto de maior prestígio e olhar estratégico sobre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC).

Dados do InovAtiva, maior programa de aceleração de empresas de tecnologias e negócios inovadores do país, promovido desde 2013 pelo Ministério da Economia em parceria com o Sebrae, e executado pela Fundação Certi da Universidade Federal de Santa Catarina, atestam o que falamos acima.

Em 2016, das 415 empresas de tecnologia e startups aceleradas pelo Programa InovAtiva, 17% delas foram de Santa Catarina. O estado só fica atrás mesmo da maior economia do país, São Paulo que acelerou um quarto das empresas de base tecnológica.

O InovAtiva conseguiu contar com 101 cidades de todo o território. Somente Florianópolis atingiu 10% do total das empresas aceleradas naquela edição, ficando atrás da capital paulista, que contribuiu com 13,4%.

Como apontado acima, Santa Catarina só consegue rivalizar na criação e desenvolvimento de empresas de tecnologia com São Paulo, economia mais dinâmica do país, porque criou um ecossistema de inovação. Com ele, alguns programas e ações são responsáveis pela desenvoltura do estado.

Destaca-se o Programa Sinapse da Inovação, que tem por característica conceder recursos financeiros (subvenção econômica) para projetos e ideias criativas que possam se transformar em empreendimentos criativos, empresas, planos de negócios. Trata-se, portanto, de um programa de estímulo governamental à pré-incubação de empresas.

Através de editais públicos e com recursos provenientes das agências federais de fomento à ciência, tecnologia e inovação e do tesouro estadual catarinense, desde 2008 já foram criadas mais de 400 empresas, tornando o estado num polo de serviços e soluções tecnológicas que tem atraído grandes empresas de vários segmentos, superando as políticas tradicionais de incentivos fiscais e concessão de áreas para instalação.

Observando esse sucesso no sul do país, várias instituições como a FINEP e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), batalharam junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, desde 2015, para que o Sinapse da Inovação fosse levado para o âmbito nacional, juntamente com expertise da Fundação Certi. Após muitos esforços o Programa foi elaborado, planejado e começou a ser executado em 2018, agora batizado de Centelha da Inovação.

Atualmente, o Programa Centelha da Inovação acontece em 14 estados, com recursos da FINEP e dos governos estaduais, através das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs). Ele tem por objetivo de estimular a criação de empreendimentos inovadores, a partir da geração de novas ideias, disseminando a cultura do empreendedorismo tecnológico.

São três fases de seleção até serem aprovados 28 projetos por cada estado, que receberão 57 mil reais para que as equipes criem as empresas e desenvolvam seus produtos e processos inovadores. Isso tudo com capacitações e mentorias da Fundação Certi e das unidades locais do Sebrae.

Em 17 de outubro o Programa Centelha foi lançado pelo Governador Renan Filho no Palácio República dos Palmares. Em Alagoas, será investido quase 3 milhões de reais em apoio financeiro aos projetos selecionados, bolsas para os coordenadores, mentorias técnicas e capacitações.

Como pode ser visto no quadro abaixo atualizado no dia 14.11, Alagoas lançou o Programa depois dos demais estados e a tendência é, na primeira fase surpreender com o número de projetos, superando até mesmo o Ceará e Pernambuco. No Brasil inteiro já são mais de 10 mil ideias e projetos criativos submetidos. Um sucesso total em termos de expectativas. Sem contar que os estados do Rio de Janeiro e Paraná vão lançar suas edições locais.

No momento que o país apresenta elevados índices de desemprego, com cerca de 12 milhões de pessoas desocupadas, sendo 25% dessa mão de obra muito jovem, o Programa Centelha é uma aposta muito alvissareira para aproveitar, especialmente, nossos jovens recém-formados no ensino médio, nas escolas técnicas, nas faculdades, centros universitários e universidades. Gerar empregos, renda, novos negócios que aproveitem a criatividade de nossa juventude e a potencialidade de correr riscos.

Em Alagoas contamos com 4 instituições de ensino superior públicas, 3 centros universitários, 22 faculdades privadas e filantrópicas, uma enorme rede pública e privada de ensino médio. Isso tudo, todos os anos, forma muita gente talentosa em busca de novas oportunidades e um ambiente para dá vazão às ideias e colocá-las em prática.

O Programa Centelha da Inovação em Alagoas lançou uma semente muito promissora, que pode contribuir extraordinariamente, no médio e longo prazo, para diversificar a economia do estado e gerar inúmeras soluções tecnológicas que atendam nossa sociedade, o setor público e os segmentos empresariais.

Se vc tem curiosidade, quer saber de mais informações, ler o edital ou tem uma ideia, projeto e gostaria de submeter ao Programa acesse o site www.programacentelha.com.br/al

As inscrições para participar da primeira etapa vão até o dia 02 de dezembro