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"O Iluminado" é um dos livros mais famosos de Stephen King a ganhar uma adaptação cinematográfica e também um dos casos mais controversos. Apesar do sucesso e dos elogios, King torceu o nariz para a versão de Kubrick.
Quase 40 anos depois, "Doutor Sono" (2019) chega aos cinemas adaptando a continuação do livro escrita por King em 2013 e ao mesmo tempo reverenciando o longa de Stanley Kubrick que tanto irritou o escritor.

A trama nos mostra Danny Torrance (Ewan McGregor), o pequeno sobrevivente do inverno no Hotel Overlook, que conseguiu fugir com sua mãe da loucura que acometeu o pai, Jack Torrance, em 1980. Já adulto, Danny aprendeu a lidar com os fantasmas do Overlook que tentaram persegui-lo, mas recebeu o alcoolismo como herança maldita do velho pai. As sequelas das experiências traumáticas da infância e o peso da responsabilidade por seu dom iluminado são evidentes.
Então, sem grandes expectativas na vida, Danny segue pulando de emprego em emprego, sem rumo ou direção, até chegar a Hampshire, onde finalmente encontrou um pouco de paz.
Lá ele inicia uma estranha amizade com Abra (Kyliegh Kurran), uma garota iluminada que lhe pede ajuda quando descobre que um grupo de andarilhos matou outra criança que possui a "iluminação". Os assassinos, chamados de "O Nó", matam jovens iluminados para se alimentar do vapor que os tornam especiais. Assim eles permanecem fortes e jovens por muito tempo.

O filme é dirigido por Mike Flanagan, responsável por "Jogo Perigoso" (2017), produção da "Netflix" à partir de outro livro de King. O diretor faz um trabalho bem competente quando se aproxima do material original, porém ao tentar imitar o estilo de Kubrick, em planos e jogo de câmeras, o resultado é insosso. Talvez, a exigência do estúdio em conectar ao máximo "Doutor Sono" e "O Iluminado" tenha prejudicado o novo filme a se desenvolver como uma obra independente. A decisão de recriar cenas clássicas e colocar sósias de Jack Nicholson e Shelley Duvall, ao meu ver, foi um erro crasso. Até gostei do uso dos espíritos do Overlook, da volta ao hotel e como ele se conecta com o fim da história, mas passaram do ponto.

Mesmo com essas ressalvas, gostei do filme. Bons personagens, elenco correto, efeitos dignos e o enredo consegue unir as três pontas narrativas do roteiro. Tentei afastar minha análise do "filme que eu gostaria de ver" em prol do "filme que vi", pois pessoalmente eu preferia acompanhar uma trama mais focada em Danny Torrance e seus demônios interiores.

Para quem esperava uma produção no estilo de "O Iluminado" (1980), aviso que "Doutor Sono" está mais próximo da energia do recente "IT" (2017), apesar do esforço da Warner em agradar gregos e troianos, Kings e Kubricks.

8.0

*Nos Cinemas

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