Reprodução/Facebook Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Thomaz Nonô

Sempre muito bem humorado, mas direto e sucinto, o Secretário Municipal de Saúde Thomaz Nonô afirma que está em constante articulação para que o partido do Democratas em Alagoas possa ter fortes nomes em sua composição para as eleições de 2020, mas sem colocar o “carro na frente dos bois”.  

Em entrevista ao CadaMinuto, Nonô classifica como “maluca” as especulações e os arranjos feitos nesse período pré-eleitoral, num cenário que não tem nada definido ainda e diz rir das composições que aparecem. Por outro, lado fez uma avaliação positiva da administração do presidente Jair Bolsonaro, mas ponderou e criticou ao citar a atuação dos filhos do presidente.

Hoje qual seria a maior necessidade da saúde em Maceió e como o senhor avalia isso?

A maior carência que nós temos, a Secretaria atacou todas as frentes possíveis. Nós precisávamos, por exemplo, recuperar a parte física e está toda feita. Faltando apenas nove postos, e desses nove, oito são alugados. Precisávamos de uma rede de informática. Não se faz mais nada sem uma bela rede. Precisavam de medicamentos, nós temos hoje a farmácia de capital melhor abastecida do país. Precisava tratar com carinho as pessoas que vão aos postos, e hoje tem ar-condicionado, cadeira, dentro de todas as unidades. Inauguramos uma subsidiária no Tabuleiro para receber as pessoas que vão atrás de fraudas geriátricas, medicamentos. Então ao invés de ficar na rua, penando, agora podem ficar no ar-condicionado, com mais de 120 cadeiras e ficha de banco para ter ordem. Agora não se faz medicina sem médicos. Maceió, há mais de uma década que não tinha concurso. Eu diligenciei, o prefeito Rui Palmeira concordou com o processo de concurso, mas esse processo demora demais, normalmente pela burocracia. Cumprimos toda a parte burocrática e desde o dia 5, a tarde, e até o dia 19, estão havendo as inscrições dos candidatos para 164 vagas de médicos e 50 vagas de auxiliar de saúde bucal. Precisamos que as nossas unidades funcionem de forma extraordinária e digna. Então vamos fazer esse processo com exames de provas e títulos, e esse processo se encerra no dia 27 de dezembro deste ano com a publicação do resultado. A gente quer a partida do dia 1 de janeiro contratar essas pessoas e colocar a disposição. Então grande problema que existe hoje está equacionado.

Ainda é possível ouvir reclamações da falta de alguns medicamentos em postos de saúde da capital, é possível acabar de maneira definitiva com esse problema?

 Aqui não existe nenhum problema que ainda não tinha sido atacado. A  central nossa é a mais bem abastecida da capital, mas é 84%, ou seja, faltam 16%. 100% devem existir no paraíso. No Brasil não tem ninguém melhor do que isso. O cliente do SUS, eu tenho certeza que eles sentem que melhorou e muito. Eu ouço dos comunicadores que praticamente não há reclamações. Sempre vai faltar um remédio aqui e ali. Por quê? Nós temos praticamente 70 unidades, e eu não posso abastecer todas as unidades todos os dias porque seria necessário uma logística do tamanho da Coca-Cola. Não dá! Então nós abastecemos as unidades a cada 15 dias. Duas vezes por mês o "cara" do posto se comunica com a farmácia e diz o que está faltando e a farmácia vai lá e abastece. E ainda temos um sistema emergencial que quando é um medicamento mais grave, ou algum cliente que precisa disso, a gente dá uma maneira de telefonar para pegar o medicamento e leva no posto. Fora disso, nós temos, às vezes, problemas com licitações. Existem vários medicamentos - e um deles é o de diabetes - que já fizemos duas licitações desertas. Você faz a licitação e não aparece ninguém pra vender. Repete e não ninguém pra vender. Claro que quando isso acontece há uma orientação legal de se comprar em caráter emergencial. Particularmente não gosto disso, achava que isso era usado de uma forma abusiva. Faço aqui as licitações, mas se não aparece ninguém pra vender uma vez, nem pela segunda vez, tenho que procurar alguém pra vender de alguma forma. Mas são exceções, não é a regra. Não existe nenhum medicamento que não esteja comprado ou com licitação em andamento. E em alguns casos raros com a entrega em andamento. Porque pra comprar, aqui não é como uma compra particular. Eu tenho que licitar e isso demanda tempo. Após isso o fabricante tem que entregar e às vezes essa demanda atrasa.

Especula que o deputado Marcelo Victor possa fazer parte do DEM, isso já é concreto? 

 Marcelo é meu amigo de longa data, gosto muito dele. Não é o Marcelo. Eu tenho conversado não apenas com Marcelo Vitor, mas com uma série de outros deputados e uma série de vereadores fazendo uma pergunta: 'Você se sentiria confortável no DEM?'. A grande maioria diz 'quero ir', mas tem obstáculos legais. A gente imagina que possa ter uma janela, e há outras maneiras que se possa ver isso. Mas "no cru", o deputado que mudar de partido hoje, ou um vereador, ele perde o mandato. E acho que está no meu papel (fazer convites). O partido tem um deputado estadual extremamente trabalhador, atuante, que é o deputado Davi Maia. Mas é importante notar que a legislação mudou. Já para as eleições de vereadores em 2020 e para as eleições de deputados em 2022, não há coligações proporcionais. Ou o partido tem vários nomes bons, ou ele vai desaparecer do mapa. Esse é o objetivo da Lei. Então eu como presidente do partido, me sinto na obrigação. E um dos que conversei é com meu amigo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Vitor. Que se quiser, será muito bem vindo. Esse foi o nome que descobriram. Tem vários outros que não vou nominar porque não vou dar luz a cego. Isso é uma concorrência entre vários partidos que vai se agudizar a partir do ano que vem com as eleições de vereadores.

 Como ficam as questões internas com a ida de Marcelo Victor para o DEM?

 Isso a gente resolve quando e se ele for. Eu não boto o carro adiante dos bois. Se amanhã tiver uma tromba d'água em Maceió, como é que o prefeito vai fazer? Tudo leva a crer que não chove nem tão cedo. Então vamos esperar que chova para ver como a gente resolve.

Pretende ser candidato a prefeito? Como vem avaliando esse período pré-campanha?

 Não há nenhuma pretensão desse tipo. Inclusive acho essas discussões malucas. Uma eleição que você não tem sequer os quadros definidos. Morro de rir com as pré-candidaturas que tem por aí. Eu acho, com todo respeito, que alguns nomes não são tão conhecidos e outros são, então cada um tem a sua estratégia. Não há uma regra fixa de como deve se comportar alguém que pretende ser prefeito de Maceió. Eu gostaria muito, não tenha dúvidas. É uma honra, extraordinário. Não me considero fora desse processo, mas não me considero dentro porque não há processo nenhum. A pressa não leva a nada. E pesquisa esse ano não leva a nada. A única coisa que gosto das pesquisas é o percentual que expressa a vontade. Hoje, no Brasil, 10% do eleitorado tem uma vaga ideia de em quem vai votar. 90% não sabe ou não está nem aí. Ficam cobrando, por exemplo: 'E o prefeito, o que vai fazer?'. Acho que o prefeito está fazendo o que eu faria no lugar dele, mas discutir a sucessão, se tem ou não tem candidato, só ano que vem. Até porque se disser hoje que o candidato dele é "fulano", no mesmo momento as atenções vão se voltar para o candidato e não para o prefeito, que é titular do cargo. Vamos esperar 2020. Em 2020 vão aparecer as alianças, o jogo, inclusive o candidato do meu partido. Estamos abertos para conversar com todos, para ser candidato, apoiar. Eu já passei da idade da vaidade, agora quero o que vai ser melhor. E o DEM vai ser um grande partido. Aqui no nosso estado, o DEM não é o maior, mas sem dúvida é o melhor.

No cenário nacional, como o senhor avalia a gestão do governo Bolsonaro?

 Acho que o governo do Bolsonaro sob o ponto de vista administrativo, é um governo extraordinário. Veja bem, nós temos a menor taxa de juros, nós temos uma ligeira retomada de crescimento. Ministro Paulo Guedes não é meu herói favorito, mas está imprimindo um rumo para a economia. Nós temos a bolsa de valores nos maiores patamares da história, o que quer dizer que o empresariado também está confiando. E é importante que esteja confiando, porque quem cria emprego é empresa. Essa enrolada de Lula, do governo fazer a geração do emprego deu no que deu esse buraco que está aí. Então o governo tem avançado em inúmeros setores. O governo como administrativo é um êxito. A reforma da previdência, o Fernando Henrique tentou e não fez, a Dilma tentou e não fez, o Temer tentou e não fez, e o Bolsonaro tentou e fez porque tinha apoio parlamentar, porque tinha o DEM comandando as duas casas. E o DEM é firme, tem disciplina, tem ordem, e graças a isso se avançou. Agora tem o lado negativo do governo.

Qual lado negativo seria esse?

Jair Messias Bolsonaro se comporta como um deputado federal na função de presidente da república. Então diz umas coisas que talvez fiquem muito adequadas na boca de um deputado, mas não ficam na de um presidente da república. Ele tem um caráter provocador, isso é ótimo em um deputado, tanto que ele foi duas vezes o deputado federal mais bem votado no Rio de Janeiro. Mas não é muito bom na prática de um presidente da república. O presidente da república é o presidente de todos, como o governador é o governador do e todos... Mas isso é uma característica pessoal dele. Outra coisa que o complica são os três filhos que ele tem. Quem tem três filhos daquela marca dispensa, na realidade, a oposição, porque os três filhos por si só já se encarregam de fazer um estrago danado no governo. Quem faz oposição clara, fora a Rede Globo - e com motivos claros - os três meninos do Bolsonaro já se encarregam de criar uma série de problemas para ele. Mas isso é da vida. E olha, lamento se ele falasse menos, se fosse mais ponderado do que diz, somado aos êxitos claros que ele tem obtido da parte administrativa e sobretudo, na reorganização econômica, que é extraordinário. A mim o que interessa é isso: sentir que a economia está crescendo, porque precisamos gerar empregos e isso a gente precisa fazer. E ele conseguiu uma coisa extraordinária que estancar a roubalheira que existia neste país. Isso já é um mérito extraordinário. Da mesma forma que Fernando Henrique acabou com a inflação, ele tem acabado com a roubalheira, o assalto a toda a máquina pública propiciada pelo PT e por alguns partidos aliados. Não por todas as pessoas do partido, mas institucionalmente perceberam que o ministério está roubado, a Petrobrás está roubada, o Banco do Brasil está roubado e assim por diante, e isso parou. E fora isso, tenho uma coisa pessoal. Não ouvir a Dilma todo dia já é uma conquista extraordinária. Aquela besta, aquela cavalgadura, aquela louca todos os dias estava na Globo, na rádio, na televisão, "ensacando vento", e dizendo todas as barbáries... Só de não ouvi-la é um prazer. Só quero ouvi-la no banco dos réus, que acho que um dia a vez dela chega.

*estagiário sob a supervisão da editoria