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Augusto Nunes tem quase cinquenta anos de jornalismo. Durante a longa trajetória, dirigiu as redações do Jornal do Brasil, Estadão e Zero Hora. Também comandou a equipe da revista Época. Na Veja, ele ocupou cargo de chefia e, desde 2009, mantém uma coluna no site da publicação. Atualmente, o jornalista é comentarista na rádio Jovem Pan, o reduto mais estridente na defesa dos “valores” bolsonarianos. E foi nessa condição que ele passou por um dos maiores vexames na imprensa brasileira. Um negócio triste mesmo.

Fã de Sérgio Moro, fanático pela Lava Jato e dono de um ódio espumante contra o velho Lula, Nunes passou dos limites nesta quinta-feira pela manhã. Foi durante o programa Pânico no Rádio, da mesma Jovem Pan. O entrevistado na bancada era o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, que revelou um conjunto de pilantragens nos processos da Lava Jato.

Durante a entrevista, os dois começaram discutir sobre um comentário feito por Nunes, há algumas semanas, acerca dos filhos do jornalista americano (que aliás foram adotados em Alagoas). Nunes de fato foi cretino ao trazer para o debate uma questão absolutamente nula sob qualquer critério. A família de Greenwald nada tem a ver com notícias sobre Lula, Bolsonaro ou jogadas da política.

No programa de hoje na rádio, os dois se encontraram pela primeira vez desde a cretinice de Augusto Nunes com seu desafeto. Aliás, qualquer um que não reze na cartilha da direita mais brucutu vira inimigo mortal do jornalista da Veja. Por ser um bolsonarista convicto, ele acaba de ser contratado também pela Record TV, a televisão do “bispo” que virou porta-voz do presidente miliciano.

Ao ser chamado de “covarde” pelo homem que desmoralizou as armações de Moro, Dallagnol e patota, Nunes perdeu a esportiva e partiu para a agressão física. Antes de desferir um golpe no rosto de Greenwald, o veterano profissional repetia várias vezes que iria “mostrar quem é covarde”.

Depois de ser alvo da agressão, o jornalista americano tenta revidar, mas é contido por pessoas da emissora que estavam nos estúdios. A cena é patética para Augusto Nunes, que sai desse episódio com a marca de um sabujo, capaz de qualquer coisa para defender o indefensável.

As imagens já entraram para a história como um dos momentos mais ensandecidos na imprensa brazuca. Assim como um bando de alucinados, Nunes enfiou o pé na jaca ao se aliar a Bolsonaro e a tudo o que isso representa. Como chegamos a esse ponto? É coisa para pesquisa de longo prazo.

Os filhos do presidente miliciano correram às redes sociais para apoiar Nunes, o covardão. Quer dizer, se você tem o apoio de um Carluxo da vida, então a coisa não é boa . Afora isso, a repercussão é um desastre para o homem da Jovem Pan e da Record TV, embora ele tente fingir que tá tudo bem.

A deplorável postura de Augusto Nunes serve de alerta quanto aos perigos do engajamento partidário por quem deveria manter um mínimo de sobriedade ao lidar diariamente com informações. Serve, além disso, para afastar a capa de hipocrisia do comentarista que é independente só na teoria.

Agora vou especular, dar um chute: as coisas vão continuar numa boa para Augusto Nunes na Jovem Pan. No bunker do reacionarismo nacional, ele está em casa. Na Veja, porém, suspeito que o caldo pode azedar para o covarde. É que as imagens são degradantes para o exercício da profissão.

Com a repercussão do caso, portanto, não será nenhuma surpresa se Augusto Nunes receber o bilhete de dispensa da Veja. O cara virou um peso para a redação, é um reacionário “com pitadas de psicopatia”. Como ocorre nessas horas, a direção pode negociar uma saída “honrosa” para o sujeito.

Enquanto isso, na sala de justiça ou à beira da calçada, cuidado com seu interlocutor apaixonado por Bolsonaro. Uma palavra a mais ou a menos, e você pode tomar uma carraspana no meio da cara. Isso se não houver coisa mais grave, tipo algum cristão conservador com Bíblia e fuzil na mão.