Foto: Divulgação Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Hospital Universitário

Desconhecido pela maioria, o Vírus T-Linfotrópico Humano (HTLV), facilita o aparecimento de doenças neurológicas, linfomas e pode até causar um tipo próprio de leucemia. “É uma doença negligenciada. Existe muita desinformação no assunto, até mesmo entre os profissionais de saúde”, afirma Dr. Arthur Paiva, coordenador do grupo, que se dedica a estudar vírus.

O HTLV é primo do vírus da AIDS e um problema no país. Segundo a fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estimasse que 2 milhões de pessoas no Brasil sejam portadoras do vírus, liderando assim o ranking de maior concentração de casos no mundo.  Alagoas está entre os principais estados afetados. O pesquisador explica que, ao contrário do HIV, que reduz a imunidade e deixa o corpo aberto a outras doenças, o HTLV provoca ele mesmo as suas complicações. Todas tratáveis, se diagnosticadas a tempo. Mas não é essa a realidade.

Segundo estudo, o diagnóstico de um paciente portador de HTLV no Brasil demora de 7 a 10 anos, dependendo do estado. Além do aparecimento tardio dos sintomas, é também o tempo que se leva para desconfiar da possibilidade do vírus ser o causador dos problemas. O Sistema Único de Saúde possui um exame de triagem que aponta o paciente como portador, mas ele precisa de um outro, confirmatório, que quase não é feito no país. “Seremos a segunda instituição do país a ter esse exame na sua rotina”, aponta o médico.

Dr. Arthur ainda espera que, como consequência das ações do grupo, o número de pacientes portadores tratados hoje no hospital triplique. São 150 em acompanhamento, frente a uma projeção de 20.000 portadores no estado. “Imagine quantas pessoas não estão por aí sem saber que são portadoras. Pretendemos agilizar o diagnóstico e conscientizar a população sobre essa realidade”, complementa. No mês de maio, com ajuda de um instituto de pesquisa de São Paulo, já foram colhidos exames de 50 pacientes do SUS para confirmação, “em pouco tempo, poderemos cumprir essa demanda com recursos próprios, vamos suprir uma lacuna enorme do nosso Sistema de Saúde”. Ele afirma que apenas os testes para HTLV no pré-natal já trariam impacto tremendo no número de casos tratados e controlaria a doença.

O doutor aponta com motivo dessa negligencia, principalmente, a falta de investimento público na prevenção e na conscientização sobre o vírus, ao contrário de seu primo famoso. “Ele foi descoberto logo antes do HIV. Mas assim que a AIDS foi posta, com razão, como preocupação mundial, ele foi sendo esquecido. Depois do Japão controlar a situação com o teste do pré-natal, apenas países em desenvolvimento tem problemas com a doença. Não é feita a mesma campanha”.

Além da confirmação do diagnóstico e alguns trabalhos já publicados, o grupo também conseguiu, ainda em parceira com os Institutos Paulistas, promover o segundo Simpósio Alagoano em HTLV, e trazer o evento de São Paulo, hoje na sua nona edição, para cá. O evento será em novembro e tem como objetivo discutir o assunto com os profissionais de saúde do estado. Além disso, conseguiram também que Alagoas sediasse o Simpósio Internacional em HTLV, que acontecerá em 2020.

* Matéria produzida pelo aluno como atividade da disciplina Comunicação, Universidade e Sociedade, do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas