Foto: Cristovão Santos / Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB)

Na semana passada, entrevistei o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB). Foi uma longa conversa em que tratamos de vários assuntos. O “bate-papo” foi publicado na íntegra no Jornal das Alagoas, mas já havia antecipado alguns pontos nesse blog, como a impossibilidade – na visão do prefeito – de uma aliança com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Nos próximos dias, entre um texto e outro, destacarei alguns pontos da entrevista com o chefe do Executivo municipal, em que ele fala tanto do cenário político para as eleições de 2020, bem como de sua administração.

Rui Palmeira de fato ainda aposta na possibilidade do PSDB construir uma candidatura própria. Não é segredo que o “ninho tucano” está combalido em Alagoas. O partido não se renovou desde a reeleição de Palmeira e não conseguiu emplacar uma candidatura ao governo do Estado de Alagoas em 2018. Isso reduziu a sigla ao papel de mero coadjuvante.

Repito o que já disse outras vezes: o erro não foi Rui Palmeira desistir da candidatura ao governo quando tinha capilaridade eleitoral para a disputa, mas sim a forma como desistiu. Ele foi um dos responsáveis por desarticular o bloco da oposição e assim perder aliados no processo, como o atual secretário estadual de Infraestrutura, Maurício Quintella Lessa, que foi candidato ao Senado Federal pelo PR em uma parceria com o MDB do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho.

Quintella perdeu a eleição, mas Rui já havia perdido – naquele contexto – um aliado importante.

Agora, sem nomes que pontuem nas mais recentes pesquisas, Rui Palmeira terá dificuldades de emplacar uma candidatura tucana no próximo pleito.

Porém, fica uma pergunta: de onde vem a confiança do prefeito de Maceió no PSDB?

Rui Palmeira diz que as pesquisas de agora – que apontam o deputado federal JHC na liderança e mostram a competitividade de nomes como o do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar, e do deputado estadual Davi Davino (PP) – não podem ser levadas em conta.

Na visão do tucano, a eleição – por não ter um candidato à reeleição – tendem a ser pulverizadas. Ou seja: com diversas candidaturas. As múltiplas opções – em sua análise – podem ajudar a levar um candidato tucano ao segundo turno.

Bem, é uma aposta. Eu creio que o prefeito esteja errado. O PSDB não sofre o ostracismo apenas no cenário local. Tornou-se um partido insosso, sem posição definida e com dificuldades de dialogar com o eleitor em um cenário polarizado. Os tucanos não possuem, hoje, um perfil que se destaque na briga, escorando-se apenas no capital político que Palmeira tiver ao fim do mandato.

A visão do prefeito é outra: ele acha que esse capital político – diante de ações da Prefeitura que devem ser realizadas na reta final – e a pulverização serão o bastante. O futuro dirá… Em todo caso, o PSDB corre o risco de, mais uma vez, ser um mero coadjuvante no processo.

Ao conversarmos sobre isso, Rui Palmeira falou sobre os motivos de ter desistido da candidatura ao governo do Estado. De acordo com ele, pesaram duas questões:

1) “A minha não candidatura ao governo foi por alguns motivos. Entre eles, o que nós (a Prefeitura) estamos fazendo nesse momento. Começamos em 2015 a trabalhar o “pacote” que a gente chama de Nova Maceió. O principal financiador é o Caf. São US$ 70 milhões que envolvem muita burocracia. Seu eu deixasse a Prefeitura naquele momento, eu não ia colher os frutos. Eu não veria a realização disso, que vai levar esgotamento sanitário, pavimentação, iluminação e melhorias para regiões mais carentes e violentas da cidade”, argumenta o prefeito.

2) “Um outro motivo é que eu senti que pessoas que estavam ao nosso lado não tinham uma reciprocidade. Eram pessoas que só pensavam nas suas candidaturas. Na hora que eu deixasse a prefeitura, não teria o apoio integral. Então, não era o momento. Preferi ficar para colher os frutos das ações que estamos colhendo nesse momento”, salienta.

Rui Palmeira – quanto ao segundo ponto – não diz quem são essas pessoas. Mas, é óbvio que se trata de seus aliados. Na época, eram os mesmos de hoje: o PP do senador Benedito de Lira e do deputado federal Arthur Lira é o principal deles, já que simbolizavam a disputa pelo Senado Federal e por uma das cadeiras da Câmara de Deputados. O PP era o aliado que era o esteio de uma majoritária.

Fora isso, o PR de Maurício Quintella, que saiu do barco e foi para o MDB, o Democratas, o PROS e outras legendas com menor impacto na coligação.

Ora, se essa era a turma de antes e houve de fato essa ausência de “reciprocidade” em jogo, eis um elemento que também estará na disputa futura. Quem garante que se o PSDB insistir na candidatura própria terá esse bloco de apoio, uma vez que o candidato não é Rui Palmeira nem outro nome com chances – levando em conta as pesquisas de hoje – de bater JHC, Alfredo Gaspar ou Davi Davino (que são os melhores colocados)?

As pesquisas deste ano não definem nada, mas influenciam o xadrez político. Rui Palmeira sabe disso.

Todavia, o prefeito segue apostando no PSDB e explica: “Eu quero que o candidato seja do PSDB. Eu estive recentemente com o presidente nacional do partido e reafirmei a ele o compromisso de lançar um candidato do PSDB. Esse é o nosso intuito porque eu acho que com capital político, que vamos chegar lá na frente, pois há obras e melhorias na cidade, eu acredito que tenhamos condições de disputar bem a eleição. Minha prioridade total é que o candidato seja do PSDB. Esteja no PSDB”.