Foto: Arquivo Pessoal Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Valdermar Gomes vítima da ditadura

As declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) de que “se a esquerda radicalizar, a resposta pode ser via um novo AI-5”, fez a família do alagoano Valdermar Gomes relembrar as marcas deixadas pela ditatura, na cidade do Rio de Janeiro.

As recordações maiores são do filho Tiago Di Lucas. “Meu pai carregava muitas cicatrizes de tortura e sempre contou que o mais duro é escutar os companheiros sendo torturados”. Natural de Chã Preta, Valdemar foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) na época da ditadura no Brasil. 

O universitário conta que o pai foi preso e torturado junto com os demais colegas militantes e considera um absurdo que no século 21 com o amadurecimento de algumas democracias e, sobre tudo em um país, onde já vivemos esses anos de chumbo que esse tipo de ameaça seja feita.

“Isso é muito perigoso para democracia, não é uma brincadeira, não é algo simples, acho que existe um papel de qualquer um que tenha um mandato que é proteger a democracia, esse é o mais fundamental, independente do viés político que a pessoa venha ter, mas todos nós estamos nesse estado e nos sentimos seguros quando o estado é democrático”, colocou Thiago.

“Essa fala agride a todo brasileiro e toda brasileira. O AI-5 torturou as pessoas, o AI-5 permitiu a dor, o sofrimento, os assassinatos políticos, o AI-5 tirou direitos da sociedade”, destacou universitário. 

Tiago disse ainda que a sociedade tem o dever de contrapor esse tipo de pensamento totalitário. “Nós temos o dever em momentos de obscurantismo trazermos a luz”. Valdemar sobreviveu ao período e morreu há 2 anos atrás de maneira clínica na cidade de Maceió.

Sobre o AI-5

Publicado dia 13 de dezembro de 1968, durante o governo de Costa e Silva, o AI-5 é considerado o mais duro dos atos do período militar (1964-1985). O dispositivo autorizava o presidente da República a decretar o recesso do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e das câmaras de vereadores, cassar mandatos de parlamentares e suspender direitos políticos dos cidadãos.

Após a publicação do ato, o presidente Costa e Silva fechou o Congresso Nacional por tempo indeterminado. Segundo registro da Câmara dos Deputados, o Congresso só voltou a funcionar dez meses depois. A justificativa era assegurar a ordem e a tranquilidade no país.

*Estagiário com supervisão da editoria.