Vinícius Firmino/Ascom ALE Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Plenário da ALE

A polêmica declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de que “se a esquerda radicalizar, a resposta pode ser via um novo AI-5” repercutiu em todo o país e também em Alagoas. Em entrevista ao CadaMinuto nesta quinta-feira (31), o deputado federal Paulão (PT) e alguns deputados estaduais comentaram a fala de  Eduardo à jornalista Leda Nagle.

Já o senador Renan Calheiros (MDB) afirmou, em sua conta no Twitter, que “a democracia não comporta comichões autoritárias, retrocessos e enxovalhamento institucional. Os ataques são inconsequentes, não irrelevantes. A democracia se encarrega de punir abusos. O #AI5 foi a expressão mais aterradora, opressiva e fascista da história. #Ditaduranuncamais”.

Classificando a declaração de irresponsável e natural “para quem não está acostumado a conviver com a democracia”, Paulão disse que todas essas declarações são cortina de fumaça para esconder a relação da família Bolsonaro com os milicianos. “Essa questão que é grave e espero que a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República tenham coragem de investigar a ligação da família Bolsonaro com milicianos”, destacou o parlamentar.

Na Assembleia

“É um absurdo essa fala. É querer apagar o fogo com gasolina”, resumiu o deputado Davi Maia (DEM) sobre a polêmica. “No momento em que a Globo cometeu o absurdo de dar aquela matéria do porteiro, de querer ligar o presidente ao assassinato da Marielle, em vez de ele (Eduardo) aproveitar o momento bom, que ele desmascara a emissora, vem com uma declaração absurda dessa. É no mínimo desconhecer a história”, prosseguiu.

Ele lembrou que, por meio do Livres - movimento do qual também faz parte - o deputado Marcelo Calero (PPS-RJ) já entrou com uma representação no Conselho de Ética pedindo a cassação do mandato de Eduardo no Conselho de Ética.

O deputado Bruno Toledo (PROS) também discordou da fala de Eduardo. “Não sou simpático às ideias positivistas do regime militar, que são o contrário do que prego: menos Estado”, frisou.

Para ele, ao contrário do que foi dito, “a esquerda tem que ser combatida no campo das ideias”: “A declaração do deputado - a meu ver - é um equívoco. Não precisamos de um novo AI-5, mas precisamos é de maior liberdade econômica e menos Estado. A população já tem percebido isso e notado como o canto da sereia da esquerda é algo que não faz, nunca fez e nunca fará o menor sentido. Socialismo não apenas dá errado. Ele é errado em essência e sempre foi essa filosofia que produziu as piores ditaduras”, completou.

“Independente de quem milita em prol da política de esquerda ou de direita, sabemos que nós conquistamos uma democracia sólida, portanto, não vejo espaço para a desestabilização da democracia no Brasil, nem muito menos uma intervenção militar”, disse ainda o deputado Léo Loureiro (Progressistas).

Em plenário

O assunto foi levado também à tribuna da Casa de Tavares Bastos durante a sessão. O deputado Cabo Bebeto (PSL) tentou amenizar a polêmica dizendo que conhece Eduardo e sabe que ele é uma pessoa tranquila, mas não é possível que, mesmo sendo bombardeada todo dia, a família Bolsonaro fique “com cara de besta”.  

“Não sei se o mais adequado é a intervenção do AI-5, mas alguma coisa tem que ser feita”, continuou, lembrando que “há muitas coisas levianas acontecendo, como o caso da Amazônia e o aparecimento das manchas de petróleo”: “Devemos ponderar para não cometer o mesmo erro que a Rede Globo”, frisou.

A deputada Cibele Moura (PSDB) discordou da fala do colega, declarando que o presidente Jair Bolsonaro e seus familiares poderiam tomar outras medidas diante das supostas injustiças que estão sendo vítimas: “Sei que não deve ser nada fácil ser filho do presidente, principalmente neste momento que o Brasil está passando, porém se há algum mal-estar, deve ser resolvido de outra forma, não é o AI-5 que vai resolver”, concluiu.

 

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