Foto: Instituto Biota Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Manchas apareceram nas falésias da Praia do Gunga

Desde que as manchas de óleo surgiram no Nordeste, a principal medida tomada por órgãos e autoridades foi a de limpar as praias, retirando o resíduo e encaminhá-lo para os locais adequados. Após a limpeza das praias, para que lugar vai o óleo em Alagoas? E quais são os prejuízos que ele pode causar, caso não seja destinado de maneira correta? Se a destinação ocorrer de forma incorreta, os prejuízos podem prejudicar o meio ambiente.

Direcionar esse petróleo para um lugar que tenha capacidade de recebê-lo é a preocupação do oceanógrafo e especialista em emergências causadas por óleo, Jackson Krauspenhar, da empresa Sprink. Segundo ele, caso esse óleo não seja destinado de maneira correta, ele pode contaminar áreas que não estavam sendo afetadas.

Ao Cada Minuto, Jackson Krauspenhar disse que a destinação errada pode causar prejuízos. Caso o óleo não seja destinado conforme manda as normas, o óleo pode penetrar no solo e atingir os lençóis freáticos. “O óleo grosso ou pastoso, se ficar muito tempo no meio ambiente, em locais quentes e se ocorrer chuva, ele pode perder mais substâncias solúveis e com a água da chuva, podem penetrar no lençol freático. Ficando no solo quente, com o sol agindo, ele vai perder solúveis e com chuva, isso aí vai acelerar a penetração no lençol freático”, explicou.

Além disso, por intermédio de chuvas, o óleo pode ser carreado e o material - através da fotólise - pode se desagregar do óleo grosso, e as substâncias podem ser carreadas para mananciais hídricos. “Ou para bacias de drenagens. Chegando a rios, manguezais, depende do local onde ele está depositado. Então é importante que ele seja colocado de maneira correta e não é só condicioná-lo, mas para destiná-lo de maneira correta”.

Para o especialista há possibilidade de se fazer biorremediação do óleo, ou seja, aplicar produtos que acelerem a biodegradação por bactérias e outras metodologias. Segundo ele, não se pode armazenar o óleo por muito tempo. “Existe uma norma que diz quanto tempo ele está armazenado e de que maneira”, disse. 

Em Alagoas, um único lugar licenciado para receber esse resíduo é a Central de Tratamento de Resíduos (CTR), situada na cidade de Pilar.

Segundo o Gerente Operacional do CTR,  Marnes Gomes, o recolhimento desse material está sendo feito pela empresa Ciano através de caçambas e caixas estacionárias. Ainda segundo ele, o material é pesado e armazenado na nossa célula de resíduos classe 1.

“O Governo do Estado entra em contato com a Ciano e diz onde vai ser feita a coleta. Os municípios estão juntando o material para algumas áreas ou terrenos, ou antigo lixão, e a empresa faz a coleta no município e leva para a CTR”, ressaltou Marnes.

O gerente explicou que é o local armazenado é um galpão de resíduo próprio para o tipo de resíduo. “Ele é revestido por cinco tipo de revestimentos. Lá, ele é condicionado, junto com outros resíduos como resto de tinta e ele fica. Ele fica confinado no galpão até que ele se esgote e ele seja fechado e selado, e é feito outro galpão”, afirmou.

Marnes também disse que a célula tem 20.000m³ para confinar o material que foi recolhido.

Por não saber quais são os componentes do óleo, Jackson chama atenção para os produtos que compõem o óleo. “Óleos aromáticos possuem benzeno na sua composição que é altamente cancerígeno. Por isso que estamos alertando as pessoas”, alertou Jackson.

MP fiscaliza CTR

Na quinta-feira (24), o Ministério Público (MP) do Estado fiscalizou juntamente com o Instituto do Meio Ambiente (IMA), a Central de Tratamento de Resíduos.

A inspeção foi coordenada pelo procurador-geral de Hustiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto. Segundo Gaspar, “os resíduos estão recebendo o tratamento devido, numa célula que foi preparada para comportar esse tipo de material, de modo que não vai afetar nem o meio ambiente desta localidade, nem os profissionais que aqui trabalham”.
 
De acordo com o promotor Jorge Dórea, a fiscalização foi importante para fins de esclarecimento, especialmente à população. “A célula que nos foi apresentada é denominada de classe 1, ou seja, ela tem a tecnologia necessária para receber aqueles produtos mais nocivos. Diante do que foi argumentado, não existe chance do petróleo contaminar o solo aqui da região após ser compactado na célula”, disse.