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Alisson Alcantara Alves e Lilyana Waleska Nunes Albuquerque, alunos do curso de Farmácia da Universidade Federal de Alagoas, começaram a estudar plantas do uso popular que poderiam combater a atividade da Leishmaniose. Esse projeto iniciou-se após um estudo bibliográfico da doença e fez parte da bolsa de iniciação científica do Laboratório de Farmacologia e Imunidade (Lafi), em 2017.

 

Quebra-pedra, hortelã-pimenta, camomila, espinheira-santa, jamelão, aroeira-vermelha, amoreira-branca, assa peixe, alcachofra, maracujá doce, barbatimão e cavalinha foram as plantas medicinais avaliadas na pesquisa. “As plantas estão em estudos por já apresentarem outras atividades, como a antibacteriana, antifúngica, entre outras. Elas não são recomendadas pelo SUS para o tratamento das leishmanioses, mas estão disponíveis na lista Renisus [Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde] com a finalidade de orientar e incentivar pesquisas e estudos”, esclarece Alisson.

 

 Ao apontar os resultados, a dupla de pesquisadores afirma que “as plantas estudadas não apresentaram efeitos tóxicos aos macrófagos [células maiores que interveem no combate do organismo contra infecções, capturando elementos estranhos ], preservando, assim, a célula de defesa do nosso corpo”.

 

“Os macrófagos, são os hospedeiros do parasita Leishmania. No ciclo do parasita no nosso corpo, essas células captam a Leishmania e esse parasita se multiplica. Com o aumento da quantidade de Leishmania, a célula de defesa explode, infectando as outras e diminuindo a função de proteção. O aumento do óxido nítrico ajuda a própria célula a eliminar o parasito, combatendo a doença”, esclarece Alisson.

 

De acordo com os pesquisadores, “a cavalinha e o barbatimão apresentaram um efeito significante na diminuição da taxa de infecção e multiplicação dos parasitos. E, além disso, quebra-pedra, hortelã, camomila e espinheira-santa induziram o aumento de óxido nítrico nas culturas de macrófagos infectados com os parasitos”.

 

Eles afirmam que: “os medicamentos utilizados na prática clínica para leishmaniose possuem altas taxas de toxicidade, e isto leva o paciente a desenvolver reações adversas graves, podendo causar a morte, além disso, são caros e induzem a resistências dos parasitos”. Com isto, continua, “surge a motivação de testar o efeito de plantas medicinais sobre os parasitos da leishmaniose, pois pode constituir um recurso economicamente acessível, servindo de base para o desenvolvimento de novos medicamentos na pesquisa farmacológica. O estudo com plantas medicinais possibilita explorar recursos naturais, que são extremamente abundantes no Brasil devido à sua biodiversidade”, defendem.

 

Reconhecimento do estudo

 

O trabalho intitulado "Estudo da atividade leishmanicida de plantas medicinais de interesse ao Sistema Único de Saúde", foi selecionado para ser apresentado na 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorrerá no período de 21 a 27 de julho de 2019, na cidade de Campo Grande/MS.

Eles comemoram o reconhecimento acadêmico. “Sem dúvidas, é algo muito motivador, principalmente, para quem está começando a dar os primeiros passos na pesquisa como nós estamos. Poder sair de Alagoas e levar o nosso trabalho para Mato Grosso do Sul, para o maior evento científico da América Latina, é muito gratificante e, com certeza, incentiva-nos a querer continuar trabalhando na pesquisa e representar a nossa UFAL”.

 

O QUE É A LEISHMANIOSE?

 

Alisson Alves explica: “As leishmanioses são doenças parasitárias causadas por protozoários do gênero Leishmania, sendo veiculados por ‘mosquitos’, os flebotomíneos, mais conhecidos como mosquito palha”. Segundo o pesquisador, “em sua grande maioria, são negligenciadas e quase dois milhões de novos casos ocorrem em todo o mundo”.

 

“As leishmanioses se apresentam sob diferentes formas clínicas, com sintomas específicos a tegumentar pode acometer a pele e mucosas, na forma de úlceras, com fundo granuloso e bordas em relevo. Já a visceral causa o comprometimento de órgãos internos como fígado, baço e medula óssea, causando os sintomas de febre, fadiga, perda de apetite, perda de peso, palidez cutaneomucosa e aumento do tamanho do fígado e do baço, sendo esta a forma mais grave da doença”. A forma visceral tem os cães como reservatórios da doença.

 

Alisson afirma que, no Brasil, 19.395 casos foram reportados, onde a maioria dos casos ocorreram nas regiões Norte-Nordeste. E alerta: “A doença está muito associada à desnutrição, deslocamento populacional, moradia precária, sistema imunológico fraco e falta de recursos”.

 

*Matéria produzida como atividade da disciplina Comunicação, Universidade e Sociedade, do Curso de Comunicação Social da Univerisidade Federal de Alagoas.