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Como se as coisas estivessem uma maravilha, nossas praias foram tomadas pelo piche misterioso que, junto com as ondas do mar, quebra na areia. Informa o site do jornal O Globo: Mais de 525 toneladas de resíduos de óleo já foram recolhidas no Nordeste. A coisa foi crescendo rapidamente e logo ganhou ares de tragédia ambiental – o que de fato está caracterizado. Diante do caso, autoridades fazem o de sempre em ocasiões assim: batem cabeça, fogem de responsabilidades e culpam terceiros pelo problema.

Além das consequências nefastas do desastre, é inquietante a postura do governo federal na busca por soluções. É revelador da incompetência oficial o fato de até agora não haver qualquer informação consistente sobre a origem do óleo nas praias nordestinas. A única suspeita nesse sentido foi levantada pelo próprio governo ao apontar a Venezuela como a fonte do grande vazamento.

Entre as últimas notícias que li acerca do assunto, claro que não poderia faltar a troca de farpas entre a turma de Bolsonaro (o presidente “vagabundo”) e governadores dos estados afetados pelo até agora irrefreável tsunami das manchas de óleo. Medíocre e fanfarrão, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobrevoa as áreas afetadas, como se passeios de avião resolvessem alguma coisa.

Da parte de nossos governantes locais, a fotografia também não é das melhores. Prefeituras e governo estadual estão perdidos, sem qualquer iniciativa que demonstre capacidade técnica de enfrentar o drama. O que se vê é o trabalho manual de servidores e voluntários na limpeza das praias afetadas. Encrenca adicional é a destinação das toneladas de resíduos retiradas em mutirões.

A inundação oleosa em tantos paraísos à beira-mar, sendo alguns pontos quase desertos, também mobiliza celebridades em redes sociais, como não? A pauta está correndo o mundo como exemplo de mais uma barbaridade na vida brasileira. De Sônia Braga a Vik Muniz, artistas soltam o verbo em elogios aos nordestinos e em críticas à omissão do ridículo governo Bolsonaro. A maré é globalista!

A turma do turismo está preocupadíssima com a inesperada sujeira naqueles paraísos aos quais me referi acima. O pescador teme a incerteza com sua fonte de sobrevivência. Já os ricaços dos hotéis e pousadas exclusivas para a elite fazem as contas sobre perdas na taxa de lucro. É que a turma tem dados que mostram a queda de reservas para visitas ao litoral de Alagoas. E logo no fim do ano.

Não vi nenhum desses megaempresários do turismo vir a público propor alguma forma de colaboração. Nada! O que eles sabem fazer é mamar em subsídios e favores estatais, concedidos à sombra, sem contrapartida ou prestação de contas. Sugam as “belezas” e nada dão em troca.

Esses gigantes da indústria turística alagoana têm seus negócios nos mais badalados pontos do nosso litoral, ao sul e ao norte. Vejam que as praias de Alagoas mais citadas nas reportagens estão na região de Coruripe, de um lado, e de Maragogi e arredores, na outra ponta da faixa. Pegou geral.

A rapaziada que já está ansiosa pelo réveillon teme que a festa seja prejudicada pelas manchas oleosas. Bacanas e subcelebridades nacionais não dispensam a virada de ano em alguma praia de São Miguel dos Milagres – só “Milagres” para os chegados. E hoteleiros querem espantar o prejuízo.

Para fechar, pense o seguinte: se a gente não consegue resolver a poluição das praias urbanas, na capital, e muito menos eliminar o despejo de dejetos feito por prédios de luxo na Ponta Verde, como vencer o desafio do “ataque venezuelano”? Não será com vassouras e pás. Nem com retórica.