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Falar em crise no governo Bolsonaro vai perdendo o sentido. Porque tudo é crise no governo Bolsonaro. Nos últimos dias, um terremoto sacode o PSL, a legenda que tem como filiado ninguém menos que o presidente da República. E a crise se concentrou agora no campo da política partidária, no jogo a ser jogado entre os poderes. O problema é a qualidade dos atores e dos enredos. Delegado Waldir (foto), líder do partido na Câmara, diz que vai “implodir” Bolsonaro, a quem o deputado se refere como “esse vagabundo”.

A reação destemperada do parlamentar apareceu num áudio gravado por outro deputado do PSL. Uma armadilha. Estamos vendo uma guerra civil no coração do bolsonarismo mais duro. Isso significa um amontoado de paraquedistas da vida pública navegando à base de chantagem, intimidação, ameaças e corrupção. Bolsonaro se empenhou diretamente na operação pra dominar a sigla.

Nesse sentido, o lance que deflagrou a pancadaria generalizada surgiu em outro áudio, agora de um telefonema do próprio Bolsonaro. Na conversa, o chefe do Executivo se presta ao serviço de pressionar parlamentares do PSL a destituírem Delegado Waldir do comando da liderança. Para o lugar dele, o presidente tenta emplacar o filho Eduardo, o mesmo que pode virar embaixador.  

Como todos sabem, essa turma da nova direita e da nova política veio inaugurar outro jeito de governar. Nada de conchavos e arranjos secretos para emplacar metas e objetivos partidários. Vê-se agora que a promessa não era assim tão pra valer. Atos e falas de nomes do bolsonarismo provam o quanto o país “avançou” em termos republicanos. A guerra expõe métodos e ideias da gentalha.

Perguntam por aí, mais uma vez, se as presepadas presidenciais atendem a uma estratégia ou são apenas sintomas de uma cabeça amalucada, de um idiota desqualificado em tudo. Diria que pode ser uma explosiva mistura das duas hipóteses. De um corrupto do baixo clero, esperar o quê?

E tome esculhambação entre os que elegeram o capitão como se fosse a redenção do país, o remédio para todos os males brasileiros. Agora, a “bancada do selfie” experimenta contra seus próprios integrantes o veneno antes reservado para adversários. Ninguém confia em aliado nenhum.

Bolsonaro quer tomar o PSL do deputado Luciano Bivar, presidente da legenda. Para isso, como é de sua índole, passa o trator por cima de qualquer um, ainda que seja um fanático apoiador. Sem noção de nada sobre qualquer coisa, Jair mostra os dentes e o fuzil. Disso daí ele entende.

E agora? O que pode acontecer num ambiente em que o presidente da República aparece em negociatas obscuras, com uma movimentação claramente inadequada? Há uma certa perplexidade frente a todo esse espetáculo degradante – o que ameaçaria os rumos do governo e, claro, do país.

Vamos ver o que ocorre nos próximos dias, ou melhor, nas próximas horas. O campo de guerra está ocupado pelas vozes mais depravadas na atual quadra da vida nacional. É o Brasil sob a horda de rastaqueras e truculentos comandados, como diria o deputado Delegado Waldir, por um vagabundo.