Agência O Globo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Luciano Bivar devolveu o PSL a João Lyra

O PSL vive de fato uma turbulência política que é anterior às declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL), ao mandar um apoiador “esquecer” a legenda e afirmar que o deputado federal Luciano Bivar está queimado. Que fim terá essa turbulência ou não, aí é com a história… Pode até resultar na saída de Bolsonaro da sigla.

O fato é que o “casamento” entre Bolsonaro e o PSL se deu por circunstâncias políticas e não por agenda programática, pois o próprio partido tentava se remontar com uma linha mais liberal – o Livres – quando o presidente entrou na legenda para concorrer ao cargo. A entrada de Bolsonaro fez com que significativa parte desse movimento saísse.

O PSL viu em Bolsonaro a possibilidade de deixar de ser nanico. Bolsonaro viu no PSL a oportunidade de sustentar a candidatura à presidência, pois estava em busca de uma sigla, tanto que tinha tentado o PSC e o Patriotas, por exemplo. Logo, nunca foi uma aliança sólida. Ambos cumpriram seus objetivos naquelas circunstâncias.

Com isso, muitos oportunistas surfaram no capital político do presidente diante de uma eleição plebiscitária onde foram diversos os fatores que elegeram Bolsonaro. Havia os valores conservadores e os méritos de Bolsonaro, evidentemente, mas não foi só isso.

Em jogo também estava quem tinha as chances reais de derrotar o PT e o seu imenso esquema de corrupção, os desdobramentos da Operação Lava Jato, a questão econômica, a falência dos tucanos dentro da chamada “estratégia das tesouras”, dentre outros.

Na obra Eleição Disruptiva, de Juliano Corbellini e Maurício Moura, alguns desses fatores são até apresentados. A obra não é um primor de análise, mas contém informações bastante acertadas.

Diante desse contexto, é óbvio que a legenda – que foi atingida por uma operação da Polícia Federal, em Pernambuco – vai buscar o discurso político e insinuar que é por conta da turbulência vivida e da rota de colisão com o presidente da República que é alvo. Porém, isso tem cara de narrativa.

O PSL tem sim os seus pecados. Desde antes da ação da PF de hoje, se apura o uso de laranjas por parte da legenda, envolvendo uma gráfica em Pernambuco. Isso atinge o deputado Luciano Bivar.

Usar da narrativa política é acreditar que o Ministério Público Eleitoral e o pleno Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco estão submissos a ela. Discurso frouxou para estranhar a ação das forças policiais. É – em essência – a mesma narrativa que o PT tenta criar quando se coloca como “perseguido”. Haja paciência!

Que a operação busque os elementos que substanciam as investigações e aí, no velho jargão, quem for podre que se quebre. Afinal, o que se busca saber é se houve fraude no emprego de recursos destinados às candidaturas de mulheres, o que corresponde a 30% do valor do Fundo Partidário.

A nota de Bivar e do PSL ao destacar o “estranhamento” por conta do momento de “turbulência política” é uma defesa insípida, pois – como a própria nota reconhece – o inquérito se estende há 10 meses e foram ouvidas testemunhas. Por meio da nota, se diz que não há indícios de fraude no processo eleitoral. Bem, aí será com a Justiça.

Um dos casos – por exemplo – é o de Lourdes Paixão, que recebeu R$ 400 mil da direção nacional do PSL, mas obteve 274 votos em 2018. O presidente da legenda na época era o ex-ministro Gustavo Bebianno. Os indícios de irregularidade existem e isso ajudou – mas não foi o único fator – na demissão de Bebianno.

Afinal, se o indício de laranjal fosse o único motivo para demissão, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, já teria caído também. Por sinal, as investigações sobre esse caso também estão em andamento e, duvido muito, que o presidente tentasse queimar o seu ministro. Ele não é alvo dessa ação policial de agora, mas já foi indiciado pela Polícia Federal junto com outras 10 pessoas no início desse mês. Até aqui segue no cargo. Que se apure e se julgue o caso do ministro também, pois as denúncias são graves.

O PSL tem sim o que explicar, assim como o ministro – que não é alvo agora! - também.