Foto: Valdir Rocha Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Na faixa etária dos 6 aos 14 anos, de acordo com os dados do IBGE, Alagoas subiu de 98,6% para uma taxa de 99% das crianças matriculadas na escola.

Em Alagoas, apesar da esperança da população pobre de superar as dificuldades que põem em cheque a própria sobrevivência, ainda não foi possível deixar para trás os índices negativos presentes nas estatísticas. De acordo com o Anuário da Educação 2018, com base nos dados coletados, o estado ficou abaixo da média da região Nordeste e do país.

A pesquisa faz uma linha do tempo dos últimos 12 anos, onde revela que nos últimos quatro anos o problema ainda é o mesmo, e que a origem está não só nas condições econômicas ou baixo investimento, mas a estrutura das unidades, capacitação dos professores e a permanência na sala de aula são fatores determinantes nesse aspecto.

“Não é a educação dos nossos sonhos que nós tínhamos, mas ela deu uma avançada muito grande”, é o que afirma a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Consuelo Correia, sobre o atual momento da rede pública de ensino no estado. De acordo com a representante do sindicato, é preciso olhar para a educação como um investimento para o futuro.

Entre as inúmeras dificuldades encontradas na educação pública, Consuelo lembrou as barreiras encontradas associadas a atual reformulação no ensino médio. “E agora a gente vem com a reforma do ensino médio, que trouxe muitos prejuízos tanto para os trabalhadores, quanto para os alunos. A gente precisa dialogar com a categoria e mostrar que esse formato de educação, a gente não quer para o ensino médio”, afirmou. “Essa reforma da educação básica trás prejuízos tanto para os trabalhadores, porque diminui postos de trabalho, pode ter o profissional de caráter de notório saber e não precisa ter a formação profissional, e para além disso, vai formar cada vez mais uma sociedade desigual quando tem um conteúdo reducionista”, completou a presidente do Sinteal.

Outro ponto importante citado foi a valorização do profissional da educação no estado. De acordo com a representante do sindicato, não há razões para comemorar além da força de vontade dos professores em seguir lutando por melhores condições na rede pública de ensino.

“Com relação a valorização profissional a nível de estado, a gente não tem muito o que comemorar, a não ser a nossa força e coragem, os guerreiros que estão lá no chão da escola, que mesmo na adversidade, ainda conseguem que alguns alunos sejam destaque nas redações, um ou outro que é premiado, que participam de amostras de ciências, a robótica”, afirmou Correia, que chamou atenção para o modelo de gestão presente na sociedade. Segundo ela, a prioridade tem sido a produção de uma mão-de-obra barata, visando apenas o sistema capitalista como foco principal.

“A escola é vista por estes gestores, hoje, para formar mão-de-obra barata para o mercado de trabalho visando o sistema capitalista. Essa desigualdade social que vem comandando a desigualdade educacional, de não garantir o direito do filho da classe trabalhadora. Para eles, quem tem que desempenhar funções intelectuais é a elite, e nós sermos apenas profissionais de mão-de-obra barata”, afirmou.

Por fim, Consuelo bate na tecla de que é preciso ter mais investimentos no setor, e que é preciso ver a educação como um investimento a longo prazo, com base nas execuções dos planos nacionais, estaduais e municipais, além da valorização do professor dentro da sala de aula.

“Para melhorar a escola pública, o primeiro passo e pelo investimento. Porque nós sabemos que sem recursos você não consegue ir muito além. Tem que ter vontade política. Os gestores não vem como investimento (a educação) e sim como gasto, porque não é algo que você mostre para a sociedade com resultados imediatos. É um processo, uma construção. Passa pela execução dos planos desde o nacional, estaduais e municipais da educação. Valorização dos profissionais da educação é fundamental, porque o profissional desmotivado não vai muito além”, disse a presidente.

“É preciso também saber usar as novas tecnologias, está preparado para este momento. É uma ferramenta importante para melhorar o desempenho do nosso estudante, mas os profissionais precisam ser preparados também. Então a formação é importante, a valorização com carreira, para que nós estejamos preparados a frente de uma escola por uma educação de qualidade. Isso que a gente precisa para poder avançar e ter o reconhecimento social”, finalizou.

*Estagiário com supervisão da editoria.