Foto: Pei Fon - Secom Maceió Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Evandro venceu o câncer de mama e atualmente ministra palestras sobre prevenção

É comum que no mês do Outubro Rosa se fale no câncer de mama nas mulheres. Entretanto, a doença também afeta os homens e mesmo sendo considerada “rara”, o homem também pode ser uma vítima da doença que é considerada uma das mais agressivas para o sexo masculino.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), para cada 100 mulheres diagnosticadas com a doença, existe um homem acometido, o que significa que apenas 1%, de casos foram registrados em pacientes do sexo masculino em todo o país. 

Em Alagoas, Evandro Simplício, de 60 anos, faz parte desses casos. Evandro foi diagnosticado com câncer de mama, fez o tratamento e venceu a doença.

“Nunca imaginei que um homem poderia ser vítima de um câncer de mama, nunca passou pela minha cabeça que eu teria que me submeter a uma mamografia, pois sempre pensei que aquilo era um procedimento de saúde feito em mulheres e não em homens, tudo foi um choque muito grande”, contou Evandro.

Evandro contou ainda que como qualquer outra doença, o câncer traz momentos de tristeza e angústia. “Logo quando descobri, me peguei triste, muito pensativo, pois quando se fala em câncer as pessoas logo se assustam de uma maneira muito intensa, mas ao iniciar o tratamento e entender que o diagnóstico não seria o fim da vida, as coisas foram melhorando, mas precisei buscar forças onde não tinha para não ser derrotado por essa doença”, ressaltou.

Câncer está na genética?

A médica oncologista clínica, Vanessa Teixeira, explicou que quando um paciente do sexo masculino é diagnosticado com a doença, todo um histórico familiar deve ser analisado. 

“Quando recebemos pacientes do sexo masculino, buscamos analisar todas as mulheres da família, pois pode haver uma mutação genética de BRCA (família de genes), o que acaba aumentando o risco de ter a doença. A parte genética hoje em dia está se ampliando bastante e estamos descobrindo outras mutações, o que de certa forma acaba ajudando em um diagnóstico precoce”, explicou Vanessa.

Ainda segundo a médica, um dos pacientes em que ela atendeu possuía um histórico de uso de anabolizantes, entretanto Vanessa afirmou que cientificamente não há nenhuma relação direta que possa confirmar que o uso de anabolizantes venha trazer o câncer. “A gente sabe que o uso de anabolizantes pode trazer várias consequências, mas cientificamente a gente não pode comprovar ainda que isso leva ao câncer, entretanto é um fator de risco relevante para ser comentado”. 

A oncologista destacou ainda que a doença nos homens pode ser mais agressiva. “O câncer de mama por ser raro no homem ele se torna mais agressivo, então a chance dessa doença voltar, se torna grande, pois é um cenário um pouco diferente”. 


Palestras 

Depois do tratamento, Evandro disse que sentiu a necessidade de mostrar que conseguiu superar a doença e incentivar a outras pessoas a se cuidarem. “Foi com alegria que consegui enfrentar todas as barreiras, elas não foram fáceis, mas venci e continuo vencendo. Hoje ministro palestras sobre a prevenção do câncer de mama e isso é muito gratificante”. 

Evandro destacou ainda que o preconceito e o machismo ainda são grandes inimigos da prevenção da doença. “Quando ministro palestras para homens é comum ouvir eles comentarem que fazer exames periódicos como o mastologista é sinônimo de fraqueza, mas é contando a minha história que busco desconstruir tudo isso, pois hoje sou um outro homem e quero que outros homens também mudem se precisar passar pelo que passei”, finalizou.

*Estagiário com a supervisão da Editoria.