Everaldo Dantas (Sombra) Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Recusa ao programa foi unânime pelos conselheiros e conselheiras.

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) rejeitou o programa Future-se proposto pelo Governo Federal nesta quinta-feira (10), durante sessão extraordinária do Conselho Universitário (Consuni). A diretoria e a base da Associação dos Docentes da Ufal (Adufal) acompanharam o debate, que iniciou às 9h30 e terminou por volta das 13h30h.

“A Adufal já deixou claro o seu posicionamento em nota publicada recentemente e a nossa posição é contraria à adesão ao Future-se, pelo entendimento de que a defesa da Universidade tem que ser intransigente e que é fundamental o desbloqueio das verbas da Ufal para a garantia de seu pleno funcionamento. Isso é lutar pela existência e pelo futuro das universidades”, disse a vice-presidenta da Adufal, Ana Maria Vergne, durante a sessão.

A recusa ao programa foi unânime pelos conselheiros e conselheiras. A sessão extraordinária contou com a participação de muitos estudantes, professores e técnicos; diversas representações estudantis (Centros Acadêmicos, UNE e DCE) e entidades Sindicais (Adufal e Sintufal).

A reunião também abriu inscrições para falas, que deram ênfase à necessidade de a comunidade universitária demarcar posição em defesa do fortalecimento da Universidade com a plenitude das suas ações de ensino, pesquisa e extensão. Também foi defendida a manutenção da política de assistência estudantil e de cotas, que vem, na última década, garantindo a entrada e permanência dos filhos e filhas da classe trabalhadora na Universidade.

“Acredito que a rejeição a esse projeto ‘Future-se’ representa a autonomia da Universidade Pública, que reafirma seu compromisso com a defesa da uma educação pública, inclusiva e igualitária, se opondo a qualquer processo de privatização por parte do governo federal, que precisa respeitar a Carta Constitucional e respeitar a autonomia universitária”, relatou o presidente da Adufal, Jailton Lira.

Outro ponto abordado por muitos dos que se fizeram presentes foi a necessidade de defender o Hospital Universitário, com a manutenção dos serviços totalmente gratuitos pelo SUS.

O programa Future-se, que representa a extinção da Educação Pública Federal, foi apresentado pelo Ministério da Educação em 17 de julho. Desde então tem sido repudiado pelas comunidades acadêmicas de quase todas as 68 federais, que vêm realizando assembleias conjuntas e debates sobre o tema. De acordo com o Andes-SN, até o mês de setembro, os Conselhos Universitários de 26 instituições federais de ensino superior já manifestaram oficialmente a rejeição ao programa.

A Adufal tem realizado seminários, palestras e participado de diversas ações para discutir sobre o tema, além de matérias convocando a base docente para o debate.

Audiência Pública na ALE

Fazendo parte do cronograma de discussão sobre o Future-se, a Adufal também esteve presente na audiência pública ocorrida na manhã desta quarta-feira (9), na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE-AL). O tema da audiência foi “Futuro e financiamento das UNIVERSIDADES FEDERAIS: para onde estamos caminhando?”.

O presidente da Adufal, Jailton Lira, utilizou o púlpito para falar sobre a importância de rejeitar o projeto do Ministério da Educação (MEC), bem como a professora Elaine Pimentel, diretora da Faculdade de Direito de Alagoas (FDA).

“A audiência pública foi importante porque levou ao Poder Legislativo estadual um panorama das atividades desenvolvidas pela UFAL nos campos do ensino, da pesquisa e da extensão, evidenciando a importância da Universidade pública para o desenvolvimento social e econômico do estado de Alagoas. Com isso conseguimos o importante apoio de diversos deputados e deputadas para a interlocução com o Governo Federal, sobretudo no que diz respeito aos prejuízos do contingenciamento de recursos”, disse a professora Elaine.

As deputadas presentes na audiência também se comprometeram em levar para o Congresso a pauta do desbloqueio das verbas da Ufal.