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            A trajetória política de Guilherme Gracindo Soares Palmeira, começou na eleição de 1966, quando foi eleito deputado estadual pela Arena com 2.354 votos, ficando em 20º lugar das 35 vagas em disputa. Ainda foi eleito por dois mandatos para deputado estadual nas eleições de 1970, com 5.125 votos, ficando em 12º lugar das quinze vagas em disputa e nas eleições de 1974, com 11.551 votos, ficando em 4º lugar das dezoito vagas disponíveis. Quando exercia seu terceiro mandato de deputado estadual, licenciou-se para ocupar a Secretaria de Indústria e Comércio no primeiro governo de Divaldo Suruagy.

            Com o objetivo de manter o controle dos governos estaduais e manter a ampla maioria no Congresso Nacional, o presidente Ernesto Geisel lança em 1977 o “Pacote de Abril”, mantendo as eleições indiretas para governador de Estado e com o intuito de segurar a maioria no Congresso Nacional, criou a figura do “Senador Biônico”. Os governadores e senadores biônicos foram escolhidos por um processo indireto através de colégios eleitorais nos Estados. Guilherme Palmeira (Arena) foi escolhido em 1º de setembro de 1978 para governador do Estado e Teobaldo Barbosa, vice-governador através de um colégio eleitoral, com uma votação de 162 votos. Arnon de Mello (Arena) foi escolhido senador biônico com uma votação de 159 votos, tendo como seu suplente o industrial Carlos Lyra (Arena). Guilherme Palmeira buscando acomodar as correntes arenistas, em especial aquela liderada pelo senador Arnon de Mello, nomeou o filho de Arnon, Fernando Collor como prefeito de Maceió.

Nas eleições de 1982, Guilherme Palmeira (PDS) foi eleito senador pela situação, com uma votação de 259.581 votos (56,17%). Pela oposição, o candidato foi José Moura Rocha (PMDB) com uma votação de 202.573 votos (43,83%), não obtendo êxito naquele pleito. Os fatores determinantes da vitória de Guilherme foram, ter ao seu alcance a máquina do governo federal, estadual e também por ter a ampla maioria das prefeituras a seu favor; além de estar protegido por uma miríade de casuísmo, como por exemplo o voto vinculado.

Guilherme Palmeira foi candidato pela segunda vez ao governo de Alagoas nas eleições de 1986. Seu principal adversário foi Fernando Collor de Mello, tendo este sido vitorioso. Collor (PMDB) foi eleito governador com 400.246 votos (52,83%) e Guilherme (PFL) foi o segundo colocado com 327.232 votos (43,20%). Dois fatores foram primordiais para a derrota de Guilherme: seu grupo político não tinha mais a mesma hegemonia das eleições de 1982 e seu nome não fazia parte do consenso do seu grupo político para ser candidato ao governo. A discordância era tão marcante que o governador José Tavares, seu correligionário, não apoiou a sua candidatura, ficando de magistrado naquele processo.

Derrotado em 1986 por seu opositor Fernando Collor, na disputa pelo governo do Estado; Guilherme foi candidato a prefeito de Maceió nas eleições de 1988. Partiu para o “tudo ou nada” que resultaria em ganhar a prefeitura e recuperar seu prestígio político abalado com a recente derrota ou perder e acelerar uma queda política que começou com a decadência do PFL conjuntamente com a ascendência do PMDB. Desta vez Guilherme concorreu e saiu vitorioso, obtendo 67.830 votos, em uma disputa acirrada com Renan Calheiros (60.985 votos). Em 1990 renunciou ao mandato de prefeito para concorrer pela segunda vez a uma vaga ao senado da República. Seu vice João Sampaio assume a prefeitura de Maceió.

Guilherme Palmeira (PFL), nas eleições de 1990 foi eleito pela segunda vez Senador da República, com uma votação de 424.480 votos (65,97%). Os fatores que determinaram a vitória tranquila de Guilherme, foram a ausência de um concorrente à altura, o uso da máquina do governo e a composição da ampla maioria dos prefeitos, deputados federais e estaduais na sua campanha.

Nas eleições de 1994, Guilherme Palmeira (PFL) foi o escolhido para ser vice-presidente na chapa de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No dia 2 de agosto de 1994 surgiram denúncias de esquema de corrupção com envolvimento de empreiteiras contra Guilherme Palmeira, porém nunca foram  comprovadas. Guilherme resolveu renunciar à sua candidatura de vice-presidente para não prejudicar o candidato Fernando Henrique Cardoso. Marco Maciel (PFL) passou a ser o vice.

Nas eleições de 1998, Guilherme Palmeira (PFL) foi candidato pela terceira vez ao senado da República, não obtendo êxito naquele pleito, vindo a ficar em segundo lugar, com 247.352 votos (14,87%). A grande vitoriosa para o senado foi Heloísa Helena (PT) com 374.931 votos (22,54%). O fator determinante para a derrota de Guilherme foi o declínio do grupo político a qual o mesmo pertencia. Após o revés da eleição de 1998, Guilherme Palmeira foi indicado Ministro do Tribunal de Contas da União, vindo a se aposentar em 2008.

Ao longo de sua longa trajetória, Guilherme Palmeira foi um político sem mácula, coisa rara nos dias de hoje.