Cortesia / Redes Sociais Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Equipes do BPRv

Você utiliza ou conhece alguém que já utilizou as redes sociais para divulgar pontos de blitz que ocorrem em estradas ou rodovias? Pois saiba que essa atitude é considerada uma prática criminosa, que pode resultar em pena de reclusão de um a cinco anos para quem for flagrado realizando a ação.

O ato de divulgar os locais onde estão acontecendo as blitz é uma prática antiga e que causa transtornos para os profissionais da segurança pública. Porém, com o avanço e incremento das redes sociais, esse ato tem se tornado cada vez mais comum. Por meio do WhatsApp e Facebook, diversos grupos são criados com o objetivo de alertar os outros motoristas sobre as atividades de fiscalização.

Um caso recente, que ocorreu ainda nesta semana, chamou a atenção dos alagoanos, quando um grupo, composto por cerca de cinco pessoas, foi identificado pelo Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) como autor de 15 grupos que divulgam informações sobre as fiscalizações no Estado.

Em entrevista ao Cada Minuto, o coronel Liziário, comandante do BPRv, informou que essas cinco pessoas, responsáveis pelos grupos, já estavam sendo monitoradas pela equipe.

“Se você multiplicar por 300, que é a capacidade que cada grupo comporta, dá cerca de quase 5 mil pessoas que se comunicam entre si, informando as operações policiais dos órgãos da segurança pública”, detalhou o coronel.

Além disso, Liziário informou também que “isso é um grande desserviço para a sociedade alagoana”. Ele contou também que essas cinco pessoas já foram identificadas e que diversos policiais estão infiltrados nesses grupos para ajudar nas investigações. Porém, os suspeitos ainda não foram presos e os nomes também não podem ser divulgados.

Ainda de acordo com o coronel, a prática criminosa se enquadra em crimes cibernéticos e os responsáveis podem cumprir pena de um a cinco anos de prisão.

 

Áudios divulgados nos grupos

A reportagem do Cada Minuto teve acesso aos áudios divulgados pelos membros dos grupos do WhatsApp, que relatam os locais onde as blitze se instalam para flagrar os motoristas que atuam irregularmente em Alagoas.

Nos áudios compartilhados, os autores informam os locais de parada e o sentido onde a fiscalização está situada. Além disso, os membros dos grupos informam também todo o percurso realizado e se a região está “limpa” – como eles intitulam.

Em entrevista à reportagem do CadaMinuto, o delegado Thiago Prado, da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), informou que a Polícia Civil ainda não está atuando no caso, mas que já tomou conhecimento sobre o assunto. “Este é um crime previsto no Art. 265 do Código Penal e é uma prática de atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, que é quando populares prejudicam algum serviço público, que no caso é a segurança pública que está sendo prejudicada pelo vazamento de informações a respeito de blitz”, disse o delegado.

 

Riscos

A universitária Maíra Luna, de 21 anos, contou que já presenciou uma ação em que um motorista de transporte irregular conversava em grupos do Whatsapp sobre os pontos de blitz disponíveis em Maceió.

“Eu estava atrasada para ir à faculdade, então mesmo com riscos, optei em pegar a van e durante quase todo o percurso o motorista se comunicava pelo Whats com um grupo, onde informam os locais de blitz, sendo assim, ele alterava a rota do caminho”, destacou Luna.

Maíra comentou que ainda questionou o motorista sobre a alteração da rota, porém, foi informada de que apesar do trajeto ser alterado devido às fiscalizações, o resultado final seria o mesmo.

“Depois desse dia eu fiquei traumatizada, pois no percurso o veículo foi parado e tive que utilizar outro transporte para chegar à faculdade. Além disso, não confio nas rotas que eles fazem para se esconder das blitz”, apontou a universitária.

*Estagiárias sob supervisão da editoria