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A comunidade do Sururu de Capote está inserida em um dos bairros mais pobres e violentos de Maceió, o Vergel do Lago. Lá, as pessoas sobrevivem basicamente da pesca e da venda do sururu que é retirado da Lagoa Mundaú, que banha a comunidade. O sururu é um dos carro chefe da culinária alagoana atraindo milhares de turistas a experimentar os saborosos e diversificados pratos com base no marisco.

Porém, a pesca e o processo o qual os pescadores e marisqueiros retiraram o molusco de suas cascas geram muitos resíduos que são descartados de forma inapropriada, como a água de lavar o sururu e a própria casca. Esse descarte acaba impactando de forma negativo o meio ambiente da região. Pensando nesses danos ambientais que a estudante de química tecnológica e industrial, Lavínia Vieira, 23, há um ano deu início a uma pesquisa científica cujo o objetivo é tentar reutilizar esse líquido da lavagem do sururu.

De acordo com a pesquisadora, os pescadores coletam o sururu e levam para as suas barracas, onde lá colocam o marisco dentro de latas para cozinhar. Quando termina o cozimento, os marisqueiros retiram o molusco de dentro da casca e a água é descartada nas encostas da lagoa. Segundo ela, eles não têm um descarte apropriado.

“A consequência desse descarte gera muita contaminação e problemas ambientais. Um deles é a proliferação de micro-organismo e mau odor naquela região. Devido, tanto às cascas que eles jogam fora, quanto à essa água de cozimento como a gente chama”, ressaltou.

E é com esse líquido de cozimento que Lavínia e companheiros de laboratório buscam por meio de processos físicos-químicos ou biológicos uma forma para reutilizá-lo. “A gente coleta essa água no mesmo dia em que é descartada. Na água a gente aplica os processos oxidativos avançados, mas primeiro passa por decantação e filtração para tentar deixar essa água tratada ou tentar pelo menos deixá-la reutilizável”, explicou a estudante.

Diferente dos marisqueiros, os pesquisadores não descartam a casca de sururu e a utilizam como material filtrante no laboratório. “A gente trabalha com a casca de sururu com o intuito de ter um destino para esse resíduo sólido” ressaltou.

 

Conscientização e benefícios para a comunidade

Toda pesquisa científica tem como um de seus pilares: o retorno para a sociedade. E esse projeto de tratar a água de lavagem do sururu não é diferente. Para Lavínia, a pesquisa pode trazer benefícios à comunidade Sururu de Capote e conscientização aos pescadores e marisqueiros.

“Bom, o benefício seria um destino para esse resíduo líquido que é descartado sem nenhuma condição e objetivo. A conscientização seria para que o descarte fosse realizado num local específico para tal finalidade, que com base no nosso projeto poderia ser para um tratamento físico-químico. Já os resíduos sólidos que são as cascas poderiam destiná-las a atuar como agente fertilizante”, explicou.

 

O destino dos resíduos não depende só da pesquisa

Para a pesquisadora, o destino ideal desse efluente seria um tanque de recepção. “Devido a degradação da carga orgânica presente nele e lógico de micro-organismo, um destino seria, por exemplo, um tanque de recepção desse efluente. E desse tanque para um destino, seja de tratamento, seja de reutilização”, disse.

Ainda segundo a estudante, “esse tratamento pode envolver os processos de efluentes: primário (decantação), secundário (flotação), terciário (biológico ou físico químico). Com fim de reutilizar após tratado em adubação ou descartar com uma carga de contaminantes menor do que ele bruto”, esclareceu.

Mas para Lavínia, tudo isso não depende só da pesquisa. Precisa de envolvimento e investimentos de partições públicas e ou privadas para dar um destino a esse resíduos e evitar problemas. “O que é muito difícil de acontecer, pois a questão ambiental ainda está sendo pouco visada, já que as empresas privadas visam lucro. E isso não é um caso de lucro e sim de solução ou amenizar um problema ambiental e até mesmo a saúde da comunidade que sofreu anos atrás com a doença Bicho do Pé, causada por esses micro-organismos”, ressaltou a estudante.

 

* Matéria produzida pela aluna como atividade da disciplina Comunicação, Univerisidade e Sociedade, do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas.