Cortesia Ascom FIEA Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Vice-presidente Hamilton Mourão

(Atualizada às 17h20)

Em passagem pela capital alagoana, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão reuniu, nesta quinta-feira, dia 03, autoridades estaduais, políticos e lideranças do setor produtivo alagoano. A convite do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), José Carlos Lyra de Andrade, Mourão falou sobre os primeiros meses do governo do presidente Jair Bolsonaro, as perspectivas de desenvolvimento econômico e opinou em assuntos diversos, de segurança pública a meio ambiente.

O vice-presidente iniciou sua fala explicando que se trata de uma prestação de contas do governo federal, que precisa ser feita "com clareza, determinação e paciência para negociar o que tem que ser negociado": "Nosso governo tem o duplo desafio de resgatar a gestão econômica e se adaptar à nova realidade global. Precisamos retirar o peso da ineficiência das costas de quem trabalha, investe e produz", falou Mourão.

"A missão é restaurar nossa pátria, libertando-a do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”, prosseguiu, afirmando: “Queremos para o futuro fazer do país a maior democracia liberal do Hemisfério Sul... Podemos ser o celeiro do mundo”.

Antes de prosseguir falando sobre os desafios para o Brasil, Mourão fez um relato histórico do mundo, desde o Império Romano, passando pelas guerras mundiais, criação da ONU, Guerra Fria até o crescimento da China como grande potência econômica.

Segurança Pública

Sobre as tarefas que o governo federal tem pela frente, ele destacou a prioridade do governo federal na área da segurança pública, que envolve mudanças na legislação, sistema prisional, aparato policial e questão social.  O vice-presidente reforçou que "é fundamental mudar a legislação penal do país”: “Não podemos conviver com uma legislação onde a pessoa mata alguém e cinco anos depois está na rua”.

Sobre a incidência de crimes cometidos por menores de idade, defendeu que “temos que discutir a maioridade penal sem visão ideológica”. Quanto às prisões, “não podem ser masmorras, nem colônias de férias para bandidos. Aqueles de maior periculosidade têm que ficar isolados e os de menor, se ressocializar, trabalhar. É importante também a integração das polícias e dar proteção à polícia, mas nada disso funcionará se não for abordada a questão social com políticas públicas na saúde e na educação", resumiu.

Redes sociais

O vice-presidente comentou que o mundo está à beira de uma depressão, falou da crise da democracia liberal e disse que a “raiva” que invade as redes sociais é um fenômeno mundial que não vem sendo entendido como tal por uma parcela da mídia.

Ao falar sobre a América do Sul Mourão lembrou a situação de países vizinhos, especialmente a Venezuela, referindo-se a ele como um país destruído por um governo populista, que levou cinco milhões de pessoas a deixar o território e culminou com a vinda de pelo menos 500 mil de venezuelanos para o Brasil

Focando no Brasil, lembrou que o fato do país fazer fronteira com dez países dificulta o combate aos crimes, a exemplo do narcotráfico e do tráfico de armas, de um lado para outro. “É um trabalho hercúleo e precisa ser integrado... Para se ter uma ideia, estima-se que haja três mil fuzis nas mãos de quadrilhas do Rio de Janeiro. Um arsenal”, disse o vice-presidente, defendendo que a diplomacia precisa ser eficiente para lidar com tantas nações distintas.

Meio ambiente

Sobre meio ambiente e Amazônia, disse acreditar que o mundo vive sim uma mudança climática. Especialmente acerca das queimadas, Mourão recordou que “todos os anos, agora em outubro é mês de queimadas. Há as legais e ilegais, mas precisamos lembrar que 1/3 do território brasileiro é área preservada, temos uma das mais avançadas legislações ambientais e 88% da energia do país é renovável. É injusto o Brasil ser acusado de ser o predador do meio ambiente".

Reformas

Como pontos para o Brasil avançar, defendeu a reforma político-partidária, com voto distrital para baratear as eleições e aproximar eleitores de candidato e falou da necessidade da reforma tributária, pontuando que a carga tributária do país corresponde a 1/3 do PIB. "Pagamos isso e não temos retorno, porque esses recursos sustentam o Estado que perdeu sua eficiência... Lula e Dilma tentaram solucionar a crise nos endividando", disse, criticando as desonerações e subsídios concedidos no governo petista, além de empréstimos a "meia dúzia de empresários que compactuavam da mesma ideologia".

"Esses governos se perderam na corrupção, incompetência e má gestão e todos nós estamos pagando", falou o vice-presidente.

Missão

Destacando que 2019 é o sexto ano do Brasil "no vermelho", o vice-presidente afirmou que a missão do governo é recolocar o país nos trilhos, restabelecer a confiança no país e nas instituições e que  as prioridades são a retomada do crescimento e a segurança pública.

Para retomar o crescimento, Mourão disse que é preciso ajustar as contas públicas, tendo o primeiro passo para isso sido dado, com a nova previdência. O segundo ponto citado foi a desvinculação do orçamento já que 96% do orçamento público brasileiro é despesa obrigatória, principalmente com pagamento de pessoal e da previdência.

O vice-presidente citou ainda que é necessário modernizar o estado, a máquina pública, ter uma gestão profissional no setor público, fazer a reforma tributária e seguir a genda das privatizações concessões.

Ao final da palestra, Hamilton Mourão ainda respondeu a três perguntas formuladas pelo presidente da FIEA, sobre fronteiras, desenvolvimento da região Nordeste e investimentos na primeira infância: “Não adianta não tratar a primeira infância e depois investir na universidade, para ter vários analfabetos funcionais”, frisou.

Ao deixar a Casa da Indústria, o vice-presidente seguiu para o litoral Sul, onde visitaria o Museu de Marechal Deodoro.