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Sensibilizar a sociedade para a importância da doação de órgãos é o objetivo do Setembro Verde. Em Alagoas, até setembro de 2019, a média de transplantes caiu 51,1%. Segundo  a coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, o estado ainda tem 447 pessoas na fila de transplante e esperam um novo órgão.

Já o número de recusa por parte de familiares caiu em comparação a 2016 que registrava 71%. Em 2017 e 2018, o número de recusa foi para 44%. Daniela explicou que o estado está diminuindo o índice de recusa e aumentando a doação. “Porém, ainda temos 500 alagoanos na fila e o caminho é longo”, diz.

Até agora, Alagoas já realizou quatro transplantes de coração, cinco de rim e 29 de córnea este ano. O número de transplantes para rim e coração é bem menor que 2018, que registrou ao todo, 79 transplantes de córneas e 21 de rins. 

A coordenadora justificou a queda e explicou que durante um ano, a Central ficou sem banco de olhos por problemas de credenciamento junto ao Ministério da Saúde. “O banco de olhos fica no Hospital Universitário e só em junho deste ano que saiu a portaria de habilitação e voltamos a fazer a captação”.

Além disso, Ramos falou que também existe um problema com as equipes de rins. “Temos 4 hospitais habilitados para fazer o transplante. Os hospitais que têm o maior número de inscritos que é a Santa Casa e o Chama, que estão com uns problemas relacionadas à equipe”.

A coordenadora afirmou que junto com as equipes e com o gestor estadual, o objetivo é de mudar o quadro. “Queremos resolver essa situação, mas o cenário é um trabalho de formiguinha e precisamos conscientizar as pessoas. No Brasil, somente a autorização da pessoa não basta, a família precisa dizer um sim”.

No estado, 239 pessoas esperam pelo transplante de córneas; 1 pessoa de coração e 207 de rins. 

Quem recebeu o transplante não deixa dúvidas de que ganhar um novo órgão não só ajuda quem espera, mas também salva vidas. O Cada Minuto conversou com dois alagoanos que foram transplantados e que também já estiveram na fila de transplante.

Enxergando uma nova vida

A corretora Bárbara Kacurin, de 27 anos, ganhou uma nova oportunidade de enxergar a vida. Foi aos 15 anos que Bárbara começou com uma alergia que coçava muitos os olhos. “Ninguém sabia o que era, pois a visão não estava afetada”, afirmou.


O grau nos olhos de Bárbara aumentou, mas ela ainda não sabia que era ceratocone. “Fui em um médico que diagnosticou a doença e começou a tratar. No começo eu conseguia adaptar lente nos dois olhos, mas com um tempo o ceratocone foi avançando muito rápido e o olho direito começou a rejeitar todas as lentes”, contou.

A alagoana disse que fez uma cirurgia para estagnar o problema, mas não deu certo. Foi aí que pensaram no transplante. A corretora disse que entrou na lista em 2016 e, após 9 meses, esperando a córnea, ela conseguiu ser chamada para o transplante no olho direito. Agora, Bárbara vai entrar novamente na lista para fazer aguardar o transplante do olho esquerdo.


Ela contou que após o transplante tudo mudou. “Hoje consigo enxergar sem usar lente e a alergia diminuiu muito. Antes a minha vida era mais complicada, pois eu não enxergava direito, somente com a lente do olho esquerdo e quando esse ficava irritado, eu não podia colocar. Então ficava bem complicado, pois eu não conseguia usar computador e nem sair 
sozinha”, disse.

O transplante possibilitou para ela uma independência que até então, ela não tinha, mas trouxe de volta o mais importante: a visão de como a vida realmente é. “Agora enxergo as cores, as pessoas, e a vida. A mensagem que deixo para quem não é doador é que mesmo que em um momento de dor, que é a perda de um ente querido, podemos tirar coisas boas e ajudar a salvar outras vidas”.

Dois corações

O alagoano Leopoldo Xavier, de 21 anos, vive com dois corações. Ele contou ao Cada Minuto que foi diagnosticado com insuficiência cardio congestiva dilatada e por causa disso, não conseguia fazer as atividades do dia a dia. 

Leopoldo esperou 11 meses e 20 dias, e já não tinha fé de que o transplante aconteceria já que estava acima do peso. “Mas quando Deus quer nada o impede de realizar milagres e eu acredito que o meu foi um”.

Foi no dia 4 maio de 2019 que a vida de Leopoldo mudou. Ele contou que ainda lembra a emoção daquele sábado de manhã - dia que recebeu a notícia -. “Foi tão de surpresa que eu fiquei sem ação. Fiz o transplante na Santa Casa e ocorreu tudo bem. Hoje em dia posso comer, tomar banho, fazer minhas atividades. Ainda canso, mas é porque estou com o coração doente dentro de mim”, explica.

Xavier carrega dois corações. Ele explicou que o transplante dele é conhecido de ‘transplante heterotópico’. No procedimento, o coração do doador é implantado ao lado do coração nativo com a finalidade de ajudar o bombeamento de sangue. “Aqui em Alagoas acho que sou o único desse jeito”, explicou.

Questionado como é viver com dois corações, Leopoldo disse que é como receber uma força extra que permite que ele faça as atividades sem precisar de ajuda. O alagoano reforçou a importância da doação e disse que quem recebe o órgão também recebe uma nova chance de viver bem. “Futuramente serei doador também”, afirma.


Lei Estadual


Foi por causa de  lei do deputado estadual Marcelo Beltrão (MDB) que o estado tem agora um Dia Estadual de Doação de Órgãos. Beltrão disse que assim que soube que não “bastava o indivíduo ter a vontade de doar o órgão, mas que a família precisava autorizar”, ele entendeu que era necessário ter um dia para conscientizar as famílias.

“O ato de doar órgãos é o ato de salvar vidas. Entendendo essa necessidade fui sensibilizado por esse tipo de argumento que é de conscientização das famílias para atender a vontade das pessoas que querem ser doadoras”, justificou Marcelo.