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Entidades ligadas ao meio ambiente estão alertando que o consumo de peixe e outros frutos do mar que fizeram a ingestão do produto derivado do petróleo, que apareceu em forma de manchas em várias praias do Nordeste, representa um grande risco contaminação para população.

Somente em Alagoas, o Instituto Biota detectou o aparecimento das manchas em Maceió no mar de Guaxuma, Ponta Verde, Pajuçara, Jatiúca e Mirante da Sereia e também no Francês, em Marechal Deodoro, em Japaratinga e na Barra de Santo Antônio, na praia de Carro Quebrado.

Na região situada entre as praias do Francês e Barra de São Miguel, a equipe do Instituto Biota registrou mais de 10 quilômetros de extensão de praia afetada pelas manchas. Para a bióloga do Instituto, Luciana Salgueiro, os riscos começam inicialmente nas algas, pois camadas densas de óleo acabam por bloquear a entrada de luz solar na água ou absorção desta luz pela adesão do material à superfície das algas e outros microorganismos, os quais servem de alimento para organismos maiores, peixes, aves, mamíferos, tartarugas.

“O impacto é bastante significativo, ainda, em aves marinhas, que são contaminadas quando mergulham para pescar seu alimento, ficando com suas penas impregnadas ao entrar em contato com o óleo, prejudicando a sua impermeabilização, podendo chegar a impossibilitar o voo e, por consequência, sua alimentação”, detalhou a bióloga.

As manchas têm uma característica bastante densa e viscosa, de coloração preta, com capacidade de boiar na água. Em Maceió, alguns banhistas tiveram contato direto com o produto e ficaram até com marcas nos pés, como relata Dayvson Oliveira. “Não percebi as manchas na praia da Pajuçara, tive o contato provavelmente no fundo do mar quando entrei para tomar banho, pois somente quando sair percebi que o meu pé estava preto”, relatou o estudante Universitário.

A assessoria de Comunicação do Ibama informou que uma série de ações vem sendo estabelecidas em ação conjunta com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (DF), Marinha e Petrobras, com o intuito de investigar as causas e responsabilidades do despejo, no meio ambiente, do petróleo cru que atingiu o litoral nordestino.

Após solicitações feitas pelo Instituto o resultado conclusivo das amostras em cujas análises feitas pela Marinha e pela Petrobras, apontaram que a substância encontrada nos litorais trata-se de petróleo cru, e que desse modo, não tem sua origem ligada a nenhum derivado de óleo.

A origem dessas manchas ainda não foi identificada. Em análise feita pela Petrobras, a assessoria de comunicação informou que o óleo encontrado não é produzido pelo Brasil.

Em contato com o Instituto do Meio Ambiente (IMA), foi informado que até quinta-feira (26), 99 praias no Nordeste foram afetadas, e nessa sexta-feira (27), houve o registro de Piaçabuçu, e Coruripe, totalizando 102 praias.

Foi dito ainda que há possibilidades  dessa contaminação ter ocorrido longe da costa, e que por isso se espalhou tão rápido.

 “Duas possiblidades: ou ocorreu durante a produção de petróleo nas plataformas, ou se deu por meio de navios que estavam de passagem e deixaram os resíduos caírem nos mares. Isso é considerado crime ambiental”, disse Ricardo César, coordenador do Gerenciamento Costeiro (Gerco) do IMA.

De acordo com Ricardo, não há registros de mortes de animais em decorrência dessas manchas, mas que qualquer animal que for encontrado deve ser encaminhado imediatamente ao IBAMA.

Por fim, o coordenador informou que as penalidades de crime ambiental vão desde a esfera administrativa mediante a aplicação de multas como também utilizando processos penais. E a orientação é que, em caso de contato com essas manchas, usar óleo de soja (óleo de cozinha) para ajudar na remoção. E que é preciso evitar a recreação nos locais que foram afetados.

*Estagiário sob supervisão da editoria