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1. Ratinho é embaixador do turismo do Brasil, nomeado por Jair Bolsonaro. O filho do embaixador, Ratinho Junior, é governador do Paraná, a terra da república de Curitiba. Antes de assumir o posto de embaixador, Ratinho, o pai, assinou contrato com o governo pra divulgar a reforma da Previdência. Levou uma bolada para nos ensinar a urgência da reforma. O embaixador também quer comprar as empresas da Organização Arnon de Mello, todas as Gazetas. Ratinhos, o pai e o filho, estão se achando.

2. Na capa da Veja, uma reportagem de peso sobre as tresloucadas iniciativas que tentam normalizar a prática da censura no país – a despeito do que está escrito na Constituição. No mesmo tom da Veja, os grandes veículos adotaram a linha de repúdio às presepadas que saem de Bolsonaro, Crivella, Doria e todos os demais que deliram com o retorno de regime autoritário.

3. Silvio Santos no SBT, Edir Macedo na Record TV. Essas duas figuras, acima de qualquer suspeita, estão como se fossem âncoras para o governo do capitão da tortura. A coisa é escancarada, como se viu no palanque do Sete de Setembro. Vez em quando surge alguma notícia sobre o clima nas redações desses veículos. A ordem é vassalagem total aos desejos do mandatário. Era previsível.

4. O jornalista Reinaldo Azevedo é aplaudido por figuras, vejam só, da mais aguerrida esquerda. Foi num evento para celebrar a liberdade de expressão. Azevedo, hoje em dia, é visceralmente odiado por um bocado de gente que, até ontem, tratava-o como guru. É o pessoal da “direita xucra”, como ele mesmo definiu. É o pessoal que baba por Bolsonaro e combate o “globalismo cultural”.

5. Alexandre Garcia é um caso a ser devidamente pesquisado por uma junta médica. Aposentado na Globo, o porta-voz do Figueiredo virou youtuber. O visual combina com anúncio funerário. Não importa o tema, o jornalista é sempre governista. Mas o que chama atenção é o grau de engajamento. Com a mesma coragem de quem rastejava por um general ditador, Garcia bajula Jair.

6. No site de Veja.com, um duelo entre velhos camaradas da chamada grande imprensa. De um lado, o bolsonarismo de grife de Augusto Nunes. Bolsonaro pode tocar fogo no país, mas o jornalista culpa sempre a esquerda, o PT e Lula. Do outro lado, um Ricardo Noblat que há muito não justificava a fama. Se reinventou. Sem dúvida, é uma das vozes mais lúcidas – e necessárias.

7. Com transmissão pela internet, o rádio ganhou uma dimensão que parecia improvável. De repente, grupos nacionais investem em nomes consagrados para brigar pela audiência. Foi nesse meio que a seita da extrema direita se casou com a Jovem Pan, outra frente de adoração ao governo do esdrúxulo presidente. Jornalista que ousar contestar o capitão e sua turma cai fora.

8. Com o apoio de alguns veículos e certos nomes da velha imprensa, Bolsonaro espera impor sua narrativa. Além dos caminhos tradicionais, conta, é claro, com sua milícia nas redes sociais. No jornalismo, o palavreado mal disfarça o partidarismo, como no site O Antagonista. Nas redes, não há limites para o festival de robôs, fake news e incontáveis armações. Tudo, menos verdade.