Foto: Cristóvão Santos/Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Maurício Quintella

De acordo com informações publicadas pelo jornalista Edvialdo Júnior (Gazetaweb), as obras do Canal do Sertão – que se encontram no trecho de número quatro – correm risco de paralisação. Funcionários já foram demitidos pela empresa responsável pela obra por não terem havido pagamentos. Há o risco de mais demissões.

Conversei com o secretário de Infraestrutura de Alagoas, Maurício Quintella Lessa, sobre o assunto. Ele foi enfático ao dizer que está pronto para o confronto com o governo federal por conta da situação da obra. “O tempo da diplomacia já passou. Estamos querendo dar publicidade a essa situação para ver se o governo federal reage”, sentencia o titular da pasta do governo de Renan Filho (MDB).

O trecho – segundo o secretário – precisa de mais de R$ 200 milhões. Foram pagos R$ 30 milhões. “Isso animou a construtora. Ela contratou pessoal, iniciou a obra, mas o restante do recurso não veio. Conseguimos uma emenda por meio da bancada federal, com destaque para o trabalho do deputado Isnaldo Bulhões (MDB), mas esse dinheiro foi empenhado, mas não chegou”, frisou ainda. Com a emenda, a previsão era de que o Canal do Sertão recebesse R$ 124 milhões.

A obra se arrasta no tempo e já serviu de “cabo eleitoral” para muitos políticos. Já foi questionada pela quantidade de recursos recebidos. O deputado estadual Davi Maia (Democratas), por exemplo, aponta que foram investidos bilhões.

Por sinal, os contratos já foram até alvo de investigações da Polícia Federal. Ações previstas pelo atual governo – como a construção de barragens – também são alvos de questionamentos por conta da tecnologia usada, que – segundo Maia – é ultrapassada e pelo desvio de finalidade dos recursos, já que seria oriundos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep).

Além disso, a gestão das águas do Canal do Sertão também é mote de debates entre situacionistas e governistas.

Apesar dos avanços a obra segue sendo uma promessa.

Mas, o fato aqui é outro: o risco de paralisar o trecho de número quatro por conta da ausência de recursos. Quintella coloca que tem feito todos os esforços junto à Brasília, já que os recursos do ministério responsável tem uma previsão orçamentária que impõe o gasto de 65% das verbas com o programa Minha Casa, Minha Vida e 30% com as obras hídricas pelo país.

“Nas primeiras conversas, o governo federal destacou que – dentro desses 30% - os pagamentos seriam proporcionais ao tamanho e relevância dessas obras, mas isso não tem acontecido”, reclamou o secretário.

Indaguei Quintella sobre a possibilidade do governo estadual assumir de vez a obra. “É impossível. Primeiro por conta da questão orçamentária, já que ela não está no orçamento. Além disso, é uma obra muito grande que o governo estadual não tem condições de tocar sozinho”, finaliza. A saída tem sido – ainda conforme o titular da pasta da Infraestrutura – buscar a bancada federal como intermediária com o governo federal.