Vinícius Firmino/Ascom Assembleia/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Plenário da ALE

Ao repercutir a operação Casmurros, deflagrada nesta terça-feira (10) pela Polícia Federal, que investiga o suposto desvio de R$ 21 milhões em recursos do transporte escolar em Alagoas, deputados defenderam agilidade no comparecimento do secretário de Educação, Luciano Barbosa, à Casa de Tavares Bastos. O convite para que o gestor compareça ao parlamento foi aprovado na semana passada.

O deputado Tarcizo Freire levou o assunto à tribuna, afirmando que o parlamento não pode ficar inerte diante dos desvios apontados pela PF e pela Controladoria Geral da União (CGU) em Alagoas, ocorridos entre 2017 e 2019. Ele também defendeu que a Casa transforme o convite em convocação, para que Luciano Barbosa dê explicações também acerca dos novos fatos.

“Quem sabe o secretário possa esclarecer quem é o ‘teimosinho’ da educação, que mesmo contrariando o entendimento da PGE incorreu em práticas lesivas ao patrimônio público e causou tantos transtornos e danos no tocante ao transporte escolar”, disse Tarcizo, em referência ao significado da palavra casmurro.

Em aparte, Davi Maia (DEM) disse que encaminhou à Mesa Diretora dois requerimentos com pedidos de maiores informações aos superintendentes da CGU em Alagoas e da PF acerca da operação: “Essa Casa precisa se debruçar sobre essas informações. Não bastava o caos do não pagamento do transporte, dos alunos fora da escola, agora temos um caos policial”.  

Ainda em aparte, Francisco Tenório (PMN) ironizou a fala “de efeito” de Luciano Barbosa na semana passada. Ao se referir as críticas dos parlamentares, o secretário postou que a “enquanto os cães ladram, a caravana passa”: “A caravana passou, dessa feita levando Dom Casmurro... Antes os cães latiam, mas cuidado, Dom Casmurro. Os cães pegam”.

Já Ricardo Nezinho (MDB) explicou que a própria Seduc desabilitou a empresa investigada na operação, mas teve que manter o contrato, já que a empresa foi reintegrada três vezes por decisão judicial. Ele pediu ao presidente da Comissão da Educação, deputado Marcelo Beltrão (MDB), que convide técnicos da Seduc para explanarem sobre o funcionamento do transporte escolar em Alagoas e disse não ter dúvidas do zelo de Luciano Barbosa no trato com a coisa pública.  

Bruno Toledo (PROS) frisou que seria precipitado apontar culpados ou “fazer discursos midiáticos de caça às bruxas”, mas cobrou a presença o quanto antes do secretário no parlamento. “Quem aceita desafio de ser gestor não pode terceirizar responsabilidade. Não estou dizendo que ele participou de nada, mas ele é secretário desde o primeiro dia dessa gestão. Não dá para apontar culpados que não passem também pela responsabilidade do gestor maior da pasta”, argumentou.

Antonio Albuquerque (PTB), Marcelo Beltrão e o presidente da Casa, Marcelo Victor (Solidariedade) também apartearam a fala de Tarcizo.

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