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     Ao longo desses últimos trinta e seis anos de disputas eleitorais, a esquerda em Alagoas viveu momentos de altos e baixos. Nas eleições de 1982 teve uma atuação destacada, elegendo para a Casa de Tavares Bastos, Ronaldo Lessa, Eduardo Bomfim e Selma Bandeira; e para a Casa de Mário Guimarães, Jarede Viana, Edberto Ticianelli, Freitas Neto, Fernando Costa e Kátia Born.

     Nas eleições de 1986, se os partidos de esquerda tivessem aparado as arestas e trabalhado conjuntamente na formulação de um programa comum de governo, certamente o candidato Ronaldo Lessa teria alcançado um melhor desempenho; porém o PCdoB prosseguiu por caminhos diferentes apoiando para o governo Fernando Collor de Mello. A formação da aliança - Collor/PCdoB- talvez tenha sido o maior equívoco da história política daquele partido. A coligação dos partidos de esquerda (PSB, PDT, PCB e PT), apesar de não terem obtido uma votação significante, fez criar a partir daquela eleição uma nova alternativa de poder.

     Nas eleições de 1992 em Maceió, a esquerda viveu um dos melhores momentos em uma disputa eleitoral. Ronaldo Lessa (PSB) foi o candidato a prefeito e Heloísa Helena (PT) a vice-prefeita. Com o sentimento de oposição  que nutria o eleitorado de Maceió, o candidato Lessa incorporou o anti-Collor e conseguiu reunir o apoio de todos os  partidos de “esquerda/progressistas” para a sua candidatura;  fatores estes que foram decisivos para a sua consagradora vitória no segundo turno.

     Nas eleições de 1996  e 2000, para prefeitura de Maceió, a esquerda estava tão fortalecida naquele momento político  que conseguiu levar para o segundo turno Kátia Born (PSB) e Heloísa Helena (PT), com a vitória de Kátia por um diferença de apenas 1,98%; o mesmo ocorrendo na eleição de 2000, em que  Kátia Born (PSB) e Régis Cavalcante (PPS) concorreram, no qual  Kátia venceu sem grandes dificuldades.

     O auge da trajetória da esquerda em Alagoas aconteceu nas eleições de 1998, quando Ronaldo Lessa (PSB) foi eleito governador no primeiro turno com 387.021 votos (58,09%) e Heloísa Helena (PT) foi eleita para o senado com 374.931 votos (22,54%).

     Nas eleições de 2002 as esquerdas não caminharam juntas, porém mesmo assim Ronaldo Lessa (PSB) foi reeleito governador de Alagoas no primeiro turno com 553.035 votos (52,93%), Aquela eleição veio consagrar Lessa como uma das maiores lideranças políticas da história de Alagoas.

     A partir das eleições de 2004 os partidos de esquerda passaram a não alcançar grandes vitórias nos pleitos eleitorais, excetuando-se  os lampejos de Marcelo Malta (PCdoB), eleito vereador em 2004; Judson Cabral, eleito vereador em 2004 (PT) ,  eleito deputado estadual em 2006  e reeleito em 2010;  Heloísa Helena (PSOL) eleita vereadora mais votada nas eleições de 2008 e 2012; Paulão(PT) eleito  deputado federal em 2014 e reeleito em 2018; e Ronaldo Lessa (PDT) eleito para deputado federal em 2014 .

     Os partidos de esquerda deixaram de ser protagonistas do processo para serem meros coadjuvantes, muitos deles fizeram alianças equivocadas ao longo das disputas eleitorais, ficando muitas vezes a reboque dos setores mais conservadores da sociedade. A maioria dos partidos de esquerda perdeu o discurso e a coerência na sua linha política, se distanciando do clamor das ruas priorizando um projeto de poder em detrimento das reais necessidades da população. As consequências desses fatores levaram ao quase que desaparecimento da representação dos partidos de esquerda no Poder Executivo e Legislativo em Alagoas. No cenário atual nenhuma grande cidade alagoana tem um partido de esquerda no comando da administração. A Câmara de Vereadores de Maceió e a Assembleia Legislativa não têm nenhum representante dos partidos de esquerda, tendo somente na Câmara Federal sua representação através do deputado Paulão (PT).

     Após trinta e seis anos quase nada restou das esquerdas em Alagoas. É necessária uma reconstrução alicerçada em um discurso coerente com a prática política e que esteja em sintonia com o clamor das ruas.