Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

O governador Renan Filho entrou na mira dos fanáticos bolsonaristas, mais uma vez, após posar para uma foto com uma bandeira que trazia o slogan “Lula Livre”. A imagem, registrada durante o desfile do Sete de Setembro, correu as redes sociais e provocou chiliques, histeria e ofensas ao governador. Essa foto lamentável não representa o bravo povo alagoano. Lugar de ladrão é na cadeia. O palavrório é do deputado estadual Cabo Bebeto, do PSL, soldado fiel do capitão da tortura que despreza direitos humanos.

Outra sumidade do bolsonarismo alagoano, o policial federal Flávio Moreno também se mostrou revoltadíssimo com a fotografia do governador. Renan Filho envergonha o povo alagoano, disse o agente da PF que é presidente estadual do PSL. Carioca da gema, Moreno baixou por aqui há apenas seis anos, como ele informa em seu perfil na internet. Parece que gostou da paisagem.

Gostou tanto que rapidamente virou militante partidário, mais preocupado em fazer politica do que trabalhar na PF. Moreno e Bebeto são dois exemplos clássicos do que há de mais obscurantista na belezura da “nova política”. A partir do que defendem em suas manifestações, digo sem medo de errar: são duas cabeças ocas, perturbadas, saudosistas dos porões inaugurados em 1964.

Os heróis dessa gente são Sergio Moro e Deltan Dallagnol, a dupla de justiceiros que, por tudo o que fez na Operação Lava Jato, deveria estar na cadeia. Na Folha deste domingo, em novos diálogos da Vaza Jato, descobriu-se mais um capítulo da atuação sórdida que o então juiz e o procurador tiveram nas investigações sobre Lula. “Combate à corrupção” era só discurso pilantra.

O que a força-tarefa queria mesmo era caçar o ex-presidente e interferir de modo ilegítimo no processo político do país. Conseguiu. Agora sabemos quais eram as reais intenções da turma, desgraçadamente forjada no coração das instituições. Depois da Lava Jato, o Ministério Público Feral deveria fechar pra balanço. Como isso não é viável, deveria ao menos rever métodos.

Apesar de todo o carnaval, de todas as atrocidades cometidas contra o devido processo legal, Moro produziu uma sentença bisonha para encarcerar Lula e tirá-lo da disputa eleitoral. Como já escrevi aqui, o juiz foi um cabo eleitoral engajado na candidatura de Bolsonaro. Não por acaso – ainda que seja uma vigarice escancarada –, o suposto magistrado virou ministro da Justiça.

Lula foi condenado sem que a Justiça apresentasse uma miserável prova das acusações. Não sou eu que digo, mas juristas do mundo inteiro. De fato, lendo a sentença, encontramos um bocado de chutes, divagações, platitudes e conjecturas – toda aquela verborragia típica dos conteúdos vazios. Prova mesmo, que é bom, zero. Mas, como diriam os procuradores, sobram “convicções”.

Não, o governador não envergonha Alagoas nem ninguém ao aparecer ao lado de uma bandeira em defesa de Lula. E assim é por uma razão simples: Lula, como qualquer um, merece um julgamento justo – o que não houve. Quem faz o Brasil passar vexame planetário é o presidente primitivo, boçal, inculto e adorador de torturadores. Quanto a Bebeto e Moreno, são apenas o retrato da estupidez desses tempos medievais que ameaçam a democracia entre nós.