Ascom ALE Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE-AL) realizou, na sexta-feira, 30 de agosto, uma sessão especial para debater a mortandade de peixes no Complexo Estuarino-Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM). A sessão foi presidida pelo deputado estadual Cabo Bebeto (PSL-AL), autor da proposta, com o objetivo de buscar entendimentos, perspectivas e soluções para o fenômeno.

No seu pronunciamento de abertura, Cabo Bebeto lembrou que, em meados de junho, ocorreu o mais recente caso de mortandade de peixes, destacando que o complexo lagunar é um dos mais relevantes do país, por possui uma vasta diversidade de espécies da vida marinha. "A região é reconhecida como uma parte importante do Estado, em uma perspectiva histórica, social, cultural e econômica. Tal evento, causa prejuízos de diversas ordens aos alagoanos, porque vários municípios tem grande parte de sua economia voltada à pesca", disse.

Durante exposições de análises realizadas com amostras da água da laguna, especialistas da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), afirmaram que a principal causa do problema é a ausência de oxigênio dissolvido na água, resultado da falta de tratamento de efluente.

O professor e pesquisador do Centro de Tecnologia (CTEC) da UFAL, Carlos Ruberto Fragoso Júnior, apontou, como agravante, o uso intensivo do solo no entorno do complexo, com a presença de área agrícola e urbana. "A mortandade de peixes na lagoa Manguaba desencadeia o comprometimento da saúde pública, das atividades turística e pesqueira, afetando a qualidade de vida e reduzindo as oportunidades de trabalho", frisou.

Segundo o professor do Centro de Ciências Agrárias da UFAL, Emerson Soares, estudos revelaram a presença de agrotóxicos e metais pesados na laguna. Ele apresentou algumas sugestões para a atual situação, a exemplo da criação de um programa de monitoramento dos ambientes aquáticos, baseados em aspectos comportamentais, sanitários, hidrológicos, análise de água e de dados microbiológicos, e a definição de uma taxa ambiental para empresas que usam produtos agressivos ao meio ambiente.

De acordo com o consultor técnico do IMA, Manuel Messias, o complexo lagunar vem sendo impactado diariamente, principalmente pela carga orgânica dos esgotos sanitários. "Uma das ações que devemos implementar é a conscientização da população. Sabemos que o rio Paraíba, que desemboca na laguna, vem com uma carga orgânica e inorgânica muito alta, sem contar que temos o oceano, que, em contato com o complexo lagunar, faz com que tenhamos uma alta depuração e degradação destes compostos orgânicos e inorgânicos vindos do rio", explicou.

Ao final das discussões, Bebeto reforçou que vai unir esforços, junto aos governos federal e estadual, para implementar políticas que viabilizem melhorias para a lagoa e para as pessoas que vivem dela. "Não podemos tratar o evento de mortandade de peixes com naturalidade. É preciso que todos cooperem para a preservação do complexo lagunar, que sustenta mais de 61% da população da região", enfatizou.

A sessão contou com as presenças dos deputados Marcelo Beltrão (MDB), Davi Maia (DEM), Francisco Tenório (PMN), Dudu Ronalsa (PSDB) e Jó Pereira (MDB); da deputada federal Tereza Nelma (PSDB/AL); do prefeito de Marechal Deodoro, Cláudio Roberto Ayres da Costa; do superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em Alagoas, Mário Daniel Sarmento; do consultor técnico e do gerente de laboratório do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Manuel Messias e Cláudio Costa; do secretário de Meio Ambiente e Pesca da cidade do Pilar, Marçal Fortes; e do presidente do Comitê Gestor do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM) e secretário de Meio Ambiente da cidade de Marechal Deodoro, Matheus Gonzales, além de professores universitários, pescadores e moradores da região lagunar.