Cortesia Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Robert Lincoln B. Melo

Em uma iniciativa pioneira, o Estado de Alagoas vai ganhar no final de setembro, o primeiro ambulatório de acolhimento e cuidado integral à saúde das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). O novo equipamento vai funcionar no Hospital da Mulher, no bairro do Poço.

O espaço terá equipe multiprofissional e vai oferecer acompanhamento, exames clínicos e tratamento adequado de acordo com as especificidades de cada usuário e tem o objetivo de promover a saúde integral de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. “Vale salientar que este serviço terá foco no Processo Transexualizador do Sistema Único de Saúde, atendendo aos pré-requisitos da Portaria nº 2.803, de 18 de novembro de 2013, que redefine e amplia o Processo Transexualizador no SUS”, explicou Robert Lincoln B. Melo, enfermeiro e assessor Técnico de Políticas Transversais da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas.

O novo equipamento de saúde é muito importante, principalmente se considerarmos que “no Brasil, a população trans tem um histórico de invisibilidade dentro do sistema de saúde”, comentou Robert, reforçando que “esse serviço marca a garantia do acesso à saúde, das diferenças humanas, da necessidade de cuidar de uma população que, em função da sua exclusão, estava sofrendo agravos”.

A iniciativa da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) visa promover a saúde integral da população LGBT, por meio da efetivação da Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais no âmbito do Estado de Alagoas, buscando eliminar a discriminação e o preconceito institucional e contribuindo para a redução das desigualdades e para consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo. Com isso, considerando a grande demanda dos movimentos sociais LGBTs pela ampliação do atendimento especializado às pessoas transexuais e travestis e pelo acolhimento sem discriminação, tanto na atenção básica quanto na atenção especializada, a SESAU está garantindo esse serviço numa perspectiva de garantir o direito a saúde e o acesso qualificado, respeitando as necessidades das pessoas LGBT.

Diferencial

O ambulatório além dos profissionais preconizados pelo Ministério da Saúde trará outros profissionais que comporão a equipe interdisciplinar e multidisciplinar com foco na atenção à saúde e cuidado às necessidades e especificidades de cada usuário.

Para garantir a integralidade do cuidado aos usuários e usuárias com demanda para a realização das ações no que se refere à saúde integral LGBT, o serviço terá foco inclusive no acolhimento com humanização e respeito ao uso do nome social. Além disso, “o serviço será definido na modalidade ambulatorial, que consiste nas ações de âmbito ambulatorial, quais sejam acompanhamento clínico das especialidades previstas, realização de exames, promover iniciativas voltadas à redução de riscos e oferecer atenção aos problemas decorrentes do uso prolongado de hormônios femininos e masculinos para travestis e transexuais, reduzir danos à saúde da população LGBT no que diz respeito ao uso excessivo de medicamentos, drogas e fármacos, especialmente para travestis e transexuais, prevenir novos casos de cânceres ginecológicos (cérvico uterino e de mamas) entre lésbicas e mulheres bissexuais e ampliar o acesso ao tratamento qualificado; prevenir novos casos de câncer de próstata entre gays, homens bissexuais, travestis e transexuais e ampliar acesso ao tratamento; acompanhamento pré e pós-operatório e hormonioterapia, destinadas a promover atenção especializada no Processo Transexualizador”, explicou Robert.

O ambulatório contará com uma equipe interdisciplinar e multiprofissional composta por: médicos ginecologista, endocrinologista, proctologista, mastologista, psiquiatra, urologista, infectologista, enfermeiros e técnicos de enfermagem e psicólogo.

Inclusão

O presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL) Nildo Correia comentou que aprova a iniciativa pioneira e pontuou ainda que “a comunidade LGBT não quer um atendimento diferenciado, mas sim que as unidades de saúde se adequem às regras de políticas de inclusão”.

“Infelizmente a falta de formação profissional de alguns agentes da saúde, acaba contribuindo com a exclusão, como também afasta a população alvo do atendimento público de saúde”, pontuou Nildo, enfatizando que espera que com o novo ambulatório “haja uma redução nos índices de mulheres lésbicas com câncer e que diminuam os números de mulheres trans que utilizam silicone industrial e outras substâncias”.