Foto: Daniel Paulino/Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Vereador Francisco Sales disse que falta sensibilidade do Governo Federal, no caso Braskem

Vereador por Maceió, Francisco Sales (PPL), vem cobrando das autoridades municipais, estaduais e até mesmo federais, respostas por uma postura mais firme e célere dos órgãos na resolução dos problemas geológicos que envolvem os bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, que foram ocasionados pela atuação da Braskem.

De acordo com Sales, não só a empresa de mineração de salgema é a responsável, mas a Agência Nacional de Mineração (ANM), é tão culpada quanto a Braskem, pois o órgão que era para ter fiscalizado a atuação da empresa no estado, não executou a função da forma adequada.

O vereador explicou ainda ao Cada Minuto, o motivo pelo qual hoje não faz mais parte da base governista do prefeito Rui Palmeira (PSDB) e disse que não é oposição e sim um vereador independente e que se for para o bem da população não terá problema em votar matérias junto com a base aliada o município.

Confira a entrevista abaixo:

1) Dentro da Câmara o senhor adotou uma posição de oposição ao município. Avalia que existe espaço para ter uma postura independente dentro do parlamento municipal?

Não sou oposição simplesmente por ser oposição, hoje dentro da Câmara, sou um vereador independente e que não precisa está na base governista para votar com o prefeito. Na última semana votamos junto com o governo em uma matéria de suma importância que foi a premiação de escolas que atingirem as metas do IDEB em Maceió e quando for preciso irei votar junto com o município, afinal o que buscamos é o melhor para a sociedade e por isso que tenho lutado. Deixei de ser base do governo municipal pela postura que o município vinha tendo diante da situação de calamidade pública que vive os bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro e também por conta do Projeto de Lei conhecido como o pacote de maldades da prefeitura que visava agredir o funcionário público, e em situações como essas não poderia estar de outro lado a não ser do lado do povo, pois foram eles que me colocaram lá e é por eles que tenho trabalhado. 


2) O município começou a realizar as consultas públicas para LDO, como espera que sejam esses debates, principalmente sobre a participação da população?

Sim, as pessoas têm que está mais presentes. O ideal hoje é que, tudo o que vá acontecer é discutido nessas audiências. A prefeitura, de uma forma irresponsável, queria não permitir que essas audiências públicas presenciais acontecessem. Queria que somente as audiências ocorressem de uma forma online. Então graças a atitude do Ministério Público (MP/AL), amanhã, já no dia 24, e no dia 31, teremos duas audiências presenciais para que a gente possa discutir com a sociedade civil organizada. Então é muito importante a presença de todos para que possamos da melhor maneira discutirmos. 

3) Acredita que o descrédito do eleitor com a classe política influência na participação ativa da população nas questões públicas?

Um sentimento de muita tristeza, saber que hoje a classe política está completamente sendo desrespeitada. Temos políticos que não podem mais sequer ir num vôo doméstico, ir num restaurante, mas foi a própria classe política que fez com que isso acontecesse. Estamos vivendo um novo momento, então precisamos prestar contas a toda sociedade, seja estando mais perto das comunidades e não visitar somente as comunidades, os eleitores, em época de eleição. Precisamos sim de uma presença, precisamos sim trabalhar os quatro anos para dizer a toda sociedade que estamos vivendo um momento diferente, um momento único, porque as redes sociais trabalham para isso. Hoje a gente vê a preocupação de muitas pessoas com o trabalho dos políticos. Então precisamos sim, trabalhar, fechar os gabinetes e ir para as ruas escutar o clamor do povo maceioense.


4) A frente dessa questão dos bairros atingidos por rachaduras, o senhor avalia que essa ausência de diálogo entre município e estado prejudica o andamento das ações aos moradores?

Eu acredito que a gente, cada um tem as suas responsabilidades, cada um tem os seus compromissos, então não podemos deixar as questões políticas afetarem as nossas responsabilidades. No primeiro momento que eu fiquei ciente, lá atrás, há um ano e meio, sobre os problemas enfrentados pelos moradores do bairro do Pinheiro, eu fiz questão de ir até a Câmara dos Vereadores pedir ajuda a todos os vereadores. Eu pedi que todos os vereadores fossem até o bairro para poder escutar aqueles moradores. Então não trata-se de uma ação política, trata-se de humanidade, de amor ao próximo, trata-se de responsabilidade. Ninguém foi obrigado a ser eleito a Governador, Prefeito, eles foram candidatos de livre e espontânea vontade. E agora tem que trabalhar, tem que ter maturidade suficiente para poder encarar os problemas de frente, e trabalhar em conjunto para poder resolver os problemas daqueles que habitam nesses três bairros.

5) Falta uma participação mais ativa do Governo Federal nessa questão, principalmente na ajuda humanitária para todas as famílias atingidas?

Claro! Eu cheguei a sugerir que a pauta da câmara fosse trancada, não só da Câmara municipal, mas também da assembleia e também do congresso nacional. Estamos diante de um dos maiores problemas geológicos de todo o país. Hoje os nossos ministros eram para estarem acampados aqui em Maceió. Era para hoje, não somente os ministros, mas o presidente da República deveria está aqui em Maceió, perto dos moradores e procurando resolver todas as situações. Os problemas que foram gerados foi porque um órgão que era para ter fiscalizado, não fiscalizou da forma adequada. A Agência Nacional de Mineração (ANM), ela é tão culpada quanto a Braskem, tão criminosa quanto a Braskem, diante de todos esses problemas. A Braskem é a responsável direta por tudo isso que está ocorrendo. Mas a ANM, ela é tão responsável quanto a Braskem, e ela pertence ao Governo Federal, o que é mais agravante. 

6) O senhor está integrando o grupo de parlamentares que buscam unificar os pedidos dos moradores dos três bairros. Avalia que essa junção pode acelerar as respostas para população?

Sim! Esse é o momento de todo o poder legislativo está unido para resolver essa situação. Tanto estamos com a Câmara Federal, deputado Max Beltrão, como estamos com a presença de deputados na assembleia legislativa, como tem vereadores juntos comigo. Está lá comigo também o vereador Dr. Cleber Costa, para que a gente possa unir todo o poder legislativo, já que o poder executivo não está tomando realmente as medidas que eram para serem tomadas, para que a gente possa cobrar. É essa a função principal do legislador. Essa é a função principal do vereador e dos deputados.

*Estagiários sob supervisão da editoria