CadaMinuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Vanessa Alencar

Sou ansiosa. Se tiver paciência de ler até o fim, entenderá porque começo o texto dizendo isso. Embora guarde em mim uma alegria insistente e sobrevivente, costumo “prever” e vislumbrar os piores cenários... Se alguém se atrasa para chegar e está com o celular desligado, por exemplo, penso logo em sequestro, atropelamento. Se estou feliz, vem o pensamento: deve ser porque fechei o ciclo e minha missão aqui foi encerrada com êxito...  Será que vou morrer? (Risos).

E se, ao invés de morrer logo, eu viver até ficar bem velhinha, doente, senil e sozinha, vendo morrer uma a uma as pessoas que eu amo?

E se o elevador cair? O apartamento pegar fogo? E se não existir vida após a morte?

Claro que tenho formas de lidar com essa ansiedade e não abro mão delas. Brinco sempre com as minhas amigas que minha principal meta de vida é “permanecer sã”.

E sigo. Sigo tentando ao máximo não racionalizar tanto e entender que eu não controlo quase nada, embora suponha que permanecer acordada durante o voo irá manter o avião no ar...

Sigo tentando ao máximo esquecer os “se” que insistem em atiçar minhas insônias, pois já dizia a magnífica Clarice Lispector: “Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento”.

E sigo. Sigo tentando lembrar, racionalmente, que os “se” de fato não existem. Só existem o agora e o que passou, mas não pode ser mudado. “Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer... O que eu ganho, o que eu perco ninguém precisa saber”.

Passei por muitas tempestades, reviravoltas e mudanças, desde criança. Talvez venha daí, de muito longe, meu apego aos portos. Eu não posso mudar o que passou, porém tem algo maravilhoso em ter passado por tantas “noites traiçoeiras”: eu sei que posso sobreviver.

Hoje estou feliz e agradeço muito a Deus por todos os presentes que Ele me deu. São muitos e não têm preço. “Se” amanhã eu estiver triste, “se” amanhã eu quebrar em mil pedacinhos, será outra história. Vou simplesmente lembrar a frase que uma grande amiga me deu de presente esta semana: “Se tem alguém capaz de se refazer, esse alguém é você”.

Feliz aniversário!