Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

E se pudéssemos apagar toda e qualquer lembrança que nos traz tristeza? E se pudéssemos deletar a mais vaga memória de alguém que fez parte de momentos da nossa vida, mas no final deixou sentimentos que machucam?

"Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" (2004), longa do diretor Michel Gondry faz esse exercício imaginativo ao trazer o romance de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet).
Ele, introspectivo e inseguro. Ela, uma confusão de humores. Juntos eles compartilham uma história de amor até que Clementine decidir apagar o namorado de sua mente e o conturbado fim do relacionamento. Ao saber disso, Joel resolve fazer o mesmo e procura a clínica especializada no procedimento, mas durante o processo ele percebe que não quer dar adeus àquelas lembranças e luta dentro de si para esconder Clementine em algum lugar que não o deixe esquecê-la.

O roteiro de Charlie Kaufman é uma preciosidade ao abordar as desventuras de uma relação amorosa. Quando escolhemos alguém (e somos escolhidos por alguém), não estamos abraçando apenas as virtudes, mas também os defeitos. Esse pacote completo traz os desafios da convivência, pois as melhores coisas da vida não são 100% boas. 
É preciso exercer a tolerância, abrir concessões quando necessário, reafirmar quando preciso, mas acima de tudo compreender que somos universos diferentes. Peças de quebra-cabeça que encaixam justamente por não representarem as mesmas formas uma do outra. Assim, é dentro de suas particularidades que deve vir a afinidade, a vontade de querer ficar junto, e mesmo que lá na frente a separação seja inevitável, as lembranças acumuladas representarão a construção do aprendizado e os tijolos da experiência darão sustentação ao que somos hoje: frutos do tempo, das memórias e do que aprendemos com elas.

10.0

*Disponível no Prime Vídeo 

*Instagram para Contato: resenha100nota