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AVISO: ESSA RESENHA CONTÊM SPOILERS 

Em meio à Los Angeles do final dos anos 60, o ator de séries de TV, Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), e seu dublê, Cliff Booth (Brad Pitt), tentam se manter relevantes na indústria cinematográfica.

O nono filme de Quentin Tarantino de fato é uma fábula, como indicava o título "Era uma vez em Hollywood" (2019). Misturando ficção e personagens reais, o diretor desenvolve seu enredo ao passo que cria sua própria versão de fatos  marcantes, reescrevendo a história tal como fez em "Bastardos Inglórios" (2009), quando proporcionou o sabor da vingança aos judeus contra Hitler.

Rick Dalton é um ator inseguro com o rumo da carreira. Associado constantemente aos papéis de vilões de vida curta, Rick lamenta o fim melancólico que se aproxima, bem distante do auge e da época que seu nome gozava de mais prestígio. Cliff, é mais do que o dublê de Rick. É o faz tudo, mas acima de tudo o amigo que apoia e protege dentro e fora de cena.
Ele também é o contraponto da personalidade do ator que busca o reconhecimento e os aplausos. Seguindo o caminho oposto, Cliff faz aquilo que precisa ser feito sem vacilar e sem qualquer intuito de receber elogios.
Os dois personagens já podem entrar na galeria de Tarantino, que coleciona caricaturas inesquecíveis em sua filmografia. Sou capaz de apostar uma pizza que veremos Leonardo DiCaprio entre os indicados ao Oscar de Melhor Ator em 2020, e talvez Brad Pitt seja lembrado para a categoria de coadjuvante.

Paralelamente a trama principal, temos a estonteante Margot Robbie interpretando Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski e notória vítima da Família Manson, também retratada no longa.
Robbie não tem muitas falas, mas sua presença preenche a tela e não deixa espaço para mais ninguém. Sua interpretação é vivaz e o diretor retrata Tate com carinho e ares de musa.

O restante do elenco é um desfile de participações especiais que abrigam gente do calibre de Al Pacino, Kurt Russel e Bruce Dern. Como fã de Pacino, senti não vê-lo por mais tempo na produção.

A trilha sonora mais um vez foi escolhida a dedo e promete fazer parte da playlist de muita gente, mas notei certo exagero nas inserções. Em alguns momentos o espectador pode confundir o filme com um videoclipe e isso quebra o ritmo.
A duração do longa pode ter ido além do que precisava para contar a história. Duas horas e quarenta alongaram um pouco o desenlace da trama que encontra o ápice nos minutos finais. A sequencia que envolve uma invasão domiciliar é forte, brutal e ao mesmo tempo regozijante. É o canto dos cisnes de Rick, a afirmação da natureza de Cliff, mas, principalmente, é a correção do real pelas mãos do imaginário. 

"Era uma vez em Hollywood" não é o melhor filme de Tarantino, tampouco o segundo ou terceiro, entretanto foi o que mais me emocionou. 
O diretor, muitas vezes acusado de glamurizar a violência, mostrou que em seus filmes ela é mostrada em seu devido lugar, pois é melhor vê-la de forma ficcional no cinema do que nos noticiários policiais e, quando não for possível evitar as tragédias da vida real, as pessoas poderão encontrar um final feliz na ficção daquele que conta a história.

8.5

*Nos Cinemas

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